Republicanos liberam bilhões para agências de imigração sem fiscalização

O Senado dos Estados Unidos, dominado pela bancada republicana, avançou com um pacote de US$ 70 bilhões (cerca de R$ 350 bilhões) para as agências de imigração sem qualquer exigência de transparência ou controle. A proposta, apresentada pelo senador Chuck Grassley na noite de segunda-feira (12), destina US$ 38,2 bilhões para o ICE (Imigração e Alfândega) e US$ 26 bilhões para a CBP (Patrulha de Fronteira e Alfândega), incluindo US$ 3,5 bilhões para tecnologia de segurança na fronteira.

Um segundo projeto, da Comissão de Segurança Interna, adiciona mais US$ 32,5 bilhões, elevando o total para cerca de US$ 69,2 bilhões. Desse montante, o ICE receberia aproximadamente US$ 38,2 bilhões, segundo informações do Migrant Insider.

Verba supera necessidades das agências

Bobby Kogan, diretor sênior de política orçamentária do Center for American Progress, alertou em sua rede social que os recursos têm "flexibilidade extrema e quase nenhuma prestação de contas", muito abaixo dos padrões habituais de verba para o Departamento de Segurança Interna (DHS).

Os republicanos justificam o gasto como uma forma de tornar o ICE e a CBP "imunes a cortes orçamentários" até o fim do mandato de Donald Trump. No entanto, dados mostram que o ICE já recebeu duas vezes mais do que precisava com a Lei "One Big Beautiful Bill", aprovada em julho. Agora, a agência tem quatro ou cinco vezes o valor necessário para operar até 2029, enquanto a CBP só teria recursos até 2027, segundo Kogan.

Sem cortes compensatórios e com histórico de abusos

O pacote não prevê cortes em outras áreas para compensar o gasto. Desde que Trump intensificou a repressão migratória, relatos de ameaças, intimidação, uso excessivo de força, prisões sem mandado e perfilamento racial se multiplicaram. O ICE já deteve centenas de crianças, e famílias de status misto são separadas constantemente. Além disso, agentes federais foram responsáveis pela morte de dois cidadãos americanos em Minnesota.

"Em vez de reformar essas agências, os republicanos estão lhes dando um cheque em branco com dinheiro de contribuintes."

Críticos argumentam que, em vez de aumentar recursos sem fiscalização, o Congresso deveria priorizar mudanças estruturais para coibir abusos e garantir direitos básicos.