Um soldado norte-americano foi detido nesta semana sob acusação de ter lucrado mais de US$ 400 mil (cerca de R$ 2 milhões) em apostas suspeitas no Polymarket relacionadas à operação que resultou na prisão do presidente venezuelano, Nicolás Maduro.
As autoridades do Distrito Sul de Nova York anunciaram, na última quinta-feira, a prisão de Gannon Ken Van Dyke, 32 anos, acusando-o de usar informações confidenciais do governo para obter vantagem financeira pessoal.
A operação, batizada de "Absolute Resolve", culminou com a prisão de Maduro em 5 de janeiro de 2026, em Nova York. Segundo o indiciamento apresentado pelo Ministério Público, Van Dyke teria participado diretamente do planejamento e execução da missão.
Detalhes das acusações
Os promotores alegam que, nos dias que antecederam a prisão de Maduro, Van Dyke realizou diversas transações no Polymarket, comprando 33.934 ações do tipo "SIM" relacionadas ao evento. Essas apostas, consideradas suspeitas pelas autoridades, teriam sido feitas com base em dados sigilosos a que ele teve acesso durante seu serviço.
Além do uso indevido de informações privilegiadas, Van Dyke enfrenta acusações de conspiração para cometer fraude e lavagem de dinheiro. Caso seja condenado, ele poderá pegar até 20 anos de prisão.
Repercussão e próximos passos
O caso levantou questionamentos sobre a segurança das informações governamentais e a fiscalização de operações militares. Autoridades ainda investigam se outros envolvidos no processo também se beneficiaram de maneira ilegal das apostas.
O Polymarket, plataforma de apostas preditivas, já havia sido alvo de críticas por permitir negociações com base em eventos políticos sensíveis. A empresa não se pronunciou oficialmente sobre o caso até o momento.
"Este tipo de conduta não apenas viola a confiança depositada nos servidores públicos, como também coloca em risco operações estratégicas de segurança nacional."
— Declaração de um porta-voz do Departamento de Justiça dos EUA