O Irã informou estar analisando as recentes propostas americanas para encerrar a guerra de dois meses entre os dois países. Enquanto isso, o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou o país com uma nova onda de bombardeios caso não seja fechado um acordo que inclua a reabertura do estratégico Estreito de Ormuz ao transporte internacional de petróleo e gás.
Mercado reage com otimismo, mas tensão persiste
A possibilidade de um fim próximo ao conflito impulsionou os mercados internacionais na quinta-feira (16). No entanto, horas antes, a tensão aumentou após a Marinha dos EUA disparar contra um petroleiro iraniano que tentava romper o bloqueio americano aos portos do Irã.
Mensagens contraditórias da administração Trump
Nos últimos dias, a estratégia dos EUA para encerrar a guerra passou por mudanças frequentes e contraditórias. Trump publicou em suas redes sociais que o conflito poderia terminar em breve e que os envios de petróleo e gás natural, interrompidos pela guerra, poderiam ser retomados. Contudo, ele condicionou isso à aceitação de um acordo não detalhado por ele.
"Se eles não concordarem, os bombardeios começam", afirmou Trump.
Um cessar-fogo frágil entre os EUA e o Irã tem se mantido desde 8 de abril. No entanto, negociações presenciais entre os dois países, mediadas pelo Paquistão no mês passado, não resultaram em um acordo.
Paquistão espera acordo em breve
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Paquistão, Tahir Andrabi, declarou na quinta-feira que o país espera um acordo "mais cedo do que tarde". Segundo ele, Islamabad espera que as partes cheguem a uma solução pacífica e sustentável que contribua não apenas para a paz regional, mas também internacional.
Andrabi, no entanto, não forneceu um cronograma, afirmando que o Paquistão não revelaria detalhes das negociações em andamento.
"O que posso dizer é que continuamos positivos, otimistas e esperamos que a solução seja alcançada o mais breve possível", declarou.
Questionado sobre uma possível resposta do Irã ainda na quinta-feira, Andrabi respondeu: "Não comentarei detalhes ou o andamento das mensagens."
O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, afirmou em pronunciamento televisionado que Islamabad mantém "contato contínuo com o Irã e os Estados Unidos, dia e noite, para interromper a guerra e estender o cessar-fogo".
Estratégia americana em constante mudança
A narrativa da guerra tem sido marcada por contradições na administração Trump. Nesta semana, o presidente e seus assessores apresentaram uma estratégia confusa para desbloquear o Estreito de Ormuz e encerrar o conflito, que mudou drasticamente em questão de horas.
O Irã fechou efetivamente o estreito, uma via crucial para o transporte de petróleo, gás, fertilizantes e outros produtos petrolíferos, enquanto os EUA mantêm um bloqueio aos portos iranianos.
Na quarta-feira (15), um caça americano danificou o leme de um petroleiro iraniano no Golfo de Omã ao tentar romper o bloqueio, segundo informações do Comando Central dos EUA.
Trump sugere forçar acordo com Teerã
Na quarta-feira, Trump afirmou que os líderes iranianos desejam encerrar a guerra.
"Estamos lidando com pessoas que querem muito fazer um acordo, e veremos se elas conseguirão", declarou o presidente.