O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, registrou a marca "Donald J. Trump International Airport" e pode lucrar milhões com a possível renomeação do Aeroporto Internacional de Palm Beach, na Flórida. A comissão do condado votará na terça-feira (11) se aprovará o uso de recursos públicos para a mudança do nome para "President Donald J. Trump International Airport".
Caso a proposta seja aprovada, um acordo de licenciamento entre o condado e a DTTM Operations LLC — empresa controlada por Donald Trump Jr. — obrigará o aeroporto a submeter todos os produtos com a marca Trump à aprovação da família. Trump é o único ex-presidente a ter um aeroporto com seu nome que registrou sua marca pessoalmente.
Embora a defesa de Trump afirme que o registro serve apenas para proteção legal e que ele não lucrará diretamente, o documento analisado pelo The Miami Herald revela brechas que permitem à família Trump vender produtos com a marca do aeroporto fora do local e até controlar informações biográficas exibidas no aeroporto.
O acordo também concede a Trump o poder de definir uma lista de "varejistas aprovados", dos quais as lojas do aeroporto serão obrigadas a comprar itens com a marca. Qualquer empresa que queira vender produtos do aeroporto Trump terá de adquiri-los exclusivamente dos fornecedores designados pela DTTM, controlada por Trump Jr.
"Normalmente, um acordo de licenciamento exige que os produtos tenham certa qualidade, mas não obriga a comprar de um varejista específico aprovado pela marca. Aqui, não é apenas um indivíduo neutro que vai escrever materiais de marketing ou falar sobre Donald Trump. Será ele e suas organizações controlando toda a mensagem", afirmou o advogado especializado em marcas, Josh Gerben, ao The Miami Herald.
Críticas à ética do acordo já haviam sido levantadas meses atrás. Parlamentares de Palm Beach enviaram e-mails alertando que a renomeação do aeroporto daria "benefício comercial ao presidente e suas empresas". Mesmo assim, a aprovação da medida parece provável, o que, segundo críticos, reforçaria mais um privilégio concedido a um dos presidentes mais controversos da história dos EUA.