O presidente Donald Trump sobreviveu a mais um atentado durante o tradicional jantar de correspondentes da Casa Branca, realizado no último sábado (25). O ataque, o terceiro de alto perfil contra o ex-presidente desde que reassumiu o cargo, não deixou vítimas fatais entre os presentes, mas um agente do Serviço Secreto foi atingido por um disparo, embora estivesse protegido por colete à prova de balas.

A investigação sobre o atirador, que foi indiciado nesta segunda-feira (26) em Washington, deve render mais detalhes nos próximos dias. Enquanto isso, a administração Trump já move ações políticas para aproveitar o episódio: pressionar pela demissão do apresentador Jimmy Kimmel e acelerar a construção de um salão de eventos na Casa Branca.

Pressão sobre Jimmy Kimmel

Na semana anterior ao atentado, Kimmel fez uma piada durante seu programa na qual descreveu a primeira-dama Melania Trump como tendo "um brilho de viúva grávida". Em resposta, tanto Donald quanto Melania Trump exigiram publicamente a demissão do apresentador, classificando o comentário como "odioso e violento".

Esta não é a primeira vez que a administração tenta remover Kimmel do ar. Em 2025, o então presidente da Comissão Federal de Comunicações (FCC), nomeado por Trump, ameaçou a rede ABC — emissora de Kimmel — com sanções, o que levou a um breve afastamento do apresentador. A medida foi revertida após forte reação pública e críticas à censura.

Embora não haja qualquer ligação entre a piada de Kimmel e o atentado, a Casa Branca não hesitou em reativar a campanha contra o comunicador. A estratégia parece ser aproveitar o clima de tensão para pressionar por mudanças na mídia.

Salão de eventos na Casa Branca: justificativa de segurança nacional

Outro alvo da administração é a construção de um novo salão de eventos na ala leste da Casa Branca, que exigiria a demolição de parte do prédio atual. O projeto, uma das prioridades de Trump, enfrenta obstáculos legais: um tribunal federal proibiu recentemente a continuidade das obras acima do solo, alegando violações ambientais e de zoneamento.

No domingo (26), o procurador-geral interino Todd Blanche argumentou que a ação judicial estaria "atrasando a construção de uma instalação segura para o presidente exercer suas funções". A justificativa, no entanto, é questionável, já que o jantar de correspondentes — principal evento que poderia se beneficiar do novo espaço — não é um evento governamental e, mesmo que concluído, não seria realizado na Casa Branca.

Especialistas em direito constitucional e ambiental já contestam a manobra, classificando-a como uma tentativa de contornar decisões judiciais sob o pretexto de segurança nacional.

Estratégia de distração ou oportunismo político?

Analistas veem nas ações da administração Trump uma tática de desviar a atenção do atentado malsucedido e, ao mesmo tempo, avançar em pautas políticas menores. "É uma combinação de oportunismo com uma estratégia de intimidação", afirmou a cientista política Maria Aparecida de Aquino, da Universidade de São Paulo. "Eles estão usando um momento de crise para promover mudanças que não teriam apoio popular em circunstâncias normais."

A postura contrasta com a comoção nacional que se seguiu ao atentado. Enquanto o país ainda processa o ocorrido, a Casa Branca optou por priorizar disputas políticas pontuais, como a demissão de Kimmel e a construção do salão, em vez de discutir medidas de segurança mais amplas.

Curiosidade: o leão-marinho que conquistou São Francisco

Como forma de encerrar a edição com um tom mais leve, vale mencionar uma história que chamou a atenção nos últimos dias: a de "Chonkers", um leão-marinho-da-steller que se tornou celebridade em San Francisco após se instalar no Pier 39. O animal, conhecido por seu porte avantajado, ganhou fama por sua personalidade sociável — ou, como define a ciência, "tigmotática", termo que descreve seres que gostam de contato físico e aglomeração.

Para saber mais sobre a vida de Chonkers, a reportagem oferece um link com acesso gratuito da The Wall Street Journal.

Fonte: Vox