O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a gerar polêmica ao compartilhar, em sua plataforma Truth Social, um discurso do comentarista de extrema direita Michael Savage, que classificou a Índia como um "inferno na Terra". A publicação, feita na noite de quarta-feira (14), desencadeou uma série de críticas tanto do governo indiano quanto de comunidades de imigrantes nos EUA.
No texto, Savage criticou a cidadania por nascimento nos EUA, alegando que imigrantes indianos teriam dificuldades com o inglês e que profissionais indianos no setor de tecnologia não estariam contratando americanos brancos. Além do texto, Trump também compartilhou um vídeo com quatro páginas da transcrição do discurso. Entre as declarações de Savage, destacou-se a frase: "Um bebê nascido aqui se torna cidadão instantaneamente e, depois, traz toda a família da China, Índia ou de algum outro inferno no planeta".
Em resposta, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Índia, Randhir Jaiswal, emitiu uma nota na manhã de quinta-feira (15), classificando as declarações de Trump como "evidentemente desinformadas, inadequadas e de mau gosto".
"Elas não refletem a realidade das relações entre Índia e EUA, construídas há anos com base no respeito mútuo e interesses compartilhados", afirmou Jaiswal.
Comunidades indianas nos EUA também se manifestaram contra o discurso. A Hindu American Foundation, organização de direita, publicou em sua conta no X (antigo Twitter):
"Estamos profundamente perturbados com o presidente dos EUA compartilhando este discurso odioso e racista, que ataca indianos e americanos de origem chinesa. Endossar tais falas como chefe de Estado só alimenta o ódio e coloca nossas comunidades em risco, em um momento em que a xenofobia e o racismo já estão em níveis alarmantes".
Apesar de contar com apoiadores indianos-americanos, como o candidato ao governo de Ohio Vivek Ramaswamy e o diretor do FBI Kash Patel, Trump mantém um histórico de declarações controversas sobre imigrantes. Em 2018, ele se referiu a países africanos e latino-americanos como "países de merda" (shithole countries), repetindo o termo em 2025. Essas posições, segundo analistas, explicam sua tentativa de revogar a cidadania por nascimento e restringir as vias legais de imigração nos EUA.