A Ucrânia continua a surpreender no conflito contra a Rússia, mesmo após mais de quatro anos de guerra. Enquanto o foco global se volta para a crise no Oriente Médio, o país mantém sua capacidade de resistência e registra avanços estratégicos no campo de batalha.

Em março de 2026, a Rússia não conseguiu consolidar ganhos territoriais significativos, apesar de lançar uma ofensiva amplamente antecipada para o período primavera-verão. Segundo o Instituto de Estudos de Guerra, com sede nos EUA, Moscou dificilmente conseguirá tomar a chamada "faixa de fortalezas" da Ucrânia, uma região fortemente protegida no leste do Donbas, um dos principais objetivos de guerra da Rússia.

Os dados mais recentes revelam um cenário ainda mais desafiador para Moscou. A Ucrânia estimou que a Rússia sofreu 35.351 baixas em março, um recorde mensal, sendo 96% delas causadas por drones. Além disso, o país conseguiu derrubar 33 mil drones russos no mesmo período, graças ao aprimoramento de seus sistemas de defesa aérea.

Outro ponto crucial é o aumento da eficácia ucraniana em realizar ataques profundos dentro do território russo. Recentemente, os alvos passaram a incluir infraestrutura energética, como oleodutos, portos e refinarias, visando reduzir o lucro de Moscou com a guerra. Segundo a Reuters, em março, 40% da capacidade de exportação de petróleo da Rússia foi afetada por esses ataques.

Europa assume liderança no apoio militar à Ucrânia

Embora ainda dependa de sistemas avançados como os interceptores Patriot e inteligência de alvos fornecidos pelos EUA, a Ucrânia tem recebido a maior parte de seu apoio militar de países europeus. Além disso, o país tem desenvolvido sua própria capacidade industrial, especialmente na produção de drones e sistemas de defesa aérea integrados.

Essa evolução permitiu que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, fechasse recentemente acordos de defesa vantajosos com nações do Golfo Pérsico e da Europa. A expertise adquirida pela Ucrânia nesse processo foi fundamental para atrair novos parceiros.

"Depois de anos de dependência externa, a Ucrânia agora tem cartas próprias para jogar."

Apesar das previsões iniciais de que o conflito no Oriente Médio beneficiaria a Rússia — com o aumento dos preços do petróleo e a flexibilização de sanções energéticas por parte dos EUA —, os ganhos estratégicos de Moscou no campo de batalha permanecem limitados. Enquanto isso, a Ucrânia segue fortalecendo sua posição, tanto na defesa quanto no ataque.

Fonte: Vox