James Safechuck, uma das duas vítimas que acusaram Michael Jackson de abuso sexual na infância no documentário Leaving Neverland (2019), divulgou uma mensagem de vídeo nesta sexta-feira (12) para oferecer apoio a outros sobreviventes de abuso, enquanto o espólio do cantor promove o lançamento do biopic Michael, produzido pela Lionsgate.

Na gravação, obtida pela TheWrap por meio de seus representantes legais, Safechuck afirmou:

"Queria me conectar com outros sobreviventes de abuso sexual na infância. O filme Michael está chegando e está sendo muito promovido. Há outdoors, comerciais e pessoas elogiando Michael, e isso pode ser gatilho para sobreviventes que têm o seu próprio 'Michael' em suas vidas, seja um padre próximo a Deus, um treinador esportivo que ajuda crianças ou um padrasto que apoia a família."

Ele continuou:

"Nossos agressores são por vezes elogiados, mesmo depois que contamos a verdade. Só queria que vocês soubessem que não estão sozinhos. Há outros sobreviventes que entendem o que vocês estão passando e estão aqui com vocês. Se estiverem sentindo todas as emoções, procurem pessoas próximas, que os apoiam e lhes dão amor. Saibam que não estão sozinhos. Contar a verdade e o que aconteceu é algo positivo e faz parte da cura."

Safechuck é um dos dois autores, ao lado de Wade Robson, em um processo civil em andamento contra as empresas do espólio de Jackson, MJJ Productions e MJJ Ventures. Em 2023, um tribunal de apelações da Califórnia reverteu decisões anteriores que haviam rejeitado as ações iniciais de Robson e Safechuck em 2020 e 2021.

Os dois foram os principais entrevistados no documentário Leaving Neverland, que detalhou suas acusações de que Jackson os molestou repetidamente e manipulou suas famílias para ganhar sua confiança. Eles alegam que as empresas tinham o "dever de cuidado" e que funcionários atuaram como "cúmplices, colaboradores, facilitadores e alter egos" durante o período em que os abusos teriam ocorrido.

Jackson sempre negou as acusações e foi absolvido de todas as acusações de abuso sexual infantil em 2005.

"Continuamos plenamente confiantes de que Michael é inocente dessas alegações, que são contrárias a todas as evidências críveis e independentes, e que só foram feitas anos após sua morte por homens motivados unicamente por dinheiro",
declarou Jonathan Steinsapir, advogado do espólio de Jackson, em comunicado ao The New York Times.

O filme Michael, dirigido por Antoine Fuqua, estreou nesta sexta-feira nos cinemas e acompanha a vida e carreira do Rei do Pop, desde sua infância no The Jackson 5 até sua ascensão ao estrelato global. O papel de Jackson é interpretado por seu sobrinho Jaafar Jackson, em sua estreia como ator. O elenco também inclui Colman Domingo como Joe Jackson, Nia Long como Katherine Jackson e Miles Teller como o advogado John Branca.

O longa já quebrou recordes de bilheteria e recebeu tanto elogios quanto críticas, refletindo a polarização em torno da figura de Michael Jackson décadas após sua morte.

Fonte: The Wrap