O The New York Times manteve firme sua defesa do artigo de opinião Nicholas Kristof, intitulado "O Silêncio que Acompanha o Estupro de Palestinos", classificando-o como "um trabalho jornalístico profundamente apurado".
Em comunicado divulgado na quarta-feira (20), um porta-voz do jornal afirmou:
"O artigo de Nicholas Kristof começa com uma premissa aos leitores: 'Independentemente de nossas opiniões sobre o conflito no Oriente Médio, devemos nos unir para condenar o estupro.'"O texto reúne depoimentos registrados e análises que documentam casos de violência sexual praticados por forças de segurança israelenses e colonos.
A defesa do jornal prosseguiu:
"Os relatos das 14 pessoas entrevistadas foram corroborados com testemunhas sempre que possível, incluindo familiares e advogados. Os detalhes foram minuciosamente verificados, com cruzamento de informações em reportagens jornalísticas, pesquisas independentes de organizações de direitos humanos, levantamentos e, em um caso, depoimentos à ONU. Especialistas foram consultados durante a apuração e checagem dos fatos."
O posicionamento do The New York Times ocorreu um dia após o Ministério das Relações Exteriores de Israel ter classificado o artigo como "tendencioso" e baseado em "fontes não verificadas ligadas a redes pró-Hamas".
Em publicação na plataforma X (antigo Twitter), o ministério afirmou:
"Isso não é jornalismo. É propaganda do Hamas, uma distorção da verdade e dos fatos, tudo a serviço de uma agenda anti-Israel. Uma campanha difamatória politicamente motivada por um jornal tendencioso, projetada para apoiar esforços de boicote a Israel. Essa peça vergonhosa e repugnante deve ser removida imediatamente."
O The New York Times já havia se manifestado em defesa do artigo na terça-feira (19), quando o texto enfrentou críticas e pedidos de retratação. Um porta-voz do jornal negou rumores de remoção e destacou o histórico de Kristof:
"Nicholas Kristof é um jornalista vencedor de dois prêmios Pulitzer, que cobre violência sexual há décadas e é amplamente reconhecido como um dos melhores repórteres in loco a documentar e testemunhar abusos sofridos por mulheres e homens em zonas de guerra e conflitos."
O jornal também ressaltou que Kristof viajou à região para apurar relatos de palestinos que sofreram abusos e que o artigo apresenta depoimentos das vítimas, respaldados por estudos independentes.
Kristof, por sua vez, respondeu às críticas em sua conta no X, sugerindo:
"Aprecio o interesse intenso pelo meu artigo. Para os céticos, por que não concordar com visitas da Cruz Vermelha e de advogados aos cerca de 9 mil palestinos presos como 'segurança'? Se acham que as alegações de abuso são falsas, tais visitas seriam uma proteção. Então, por que não?"