A Associação Argentina de Polo (APA) proibiu oficialmente o uso de cavalos geneticamente modificados ou editados em qualquer torneio, oficial ou não. A decisão visa preservar "a magia e o charme da criação", segundo o presidente da APA, Benjamin Araya.
A medida afeta clones produzidos pela Kheiron Biotech, empresa de biotecnologia de Buenos Aires que realizou cerca de 400 clonagens em 2025. Os animais alterados tiveram o gene da miostatina suprimido, o que resulta em maior massa muscular e velocidade. A empresa buscava criar cavalos mais fortes para o polo, esporte que exige resistência e explosividade.
"Isso tira o encanto, isso tira a magia da criação", declarou Araya à Reuters. No entanto, a biotecnologia já influencia há anos a criação de cavalos de polo argentinos. Mais de 60% dos animais usados no esporte são produzidos por transferência de embriões, técnica que permite que éguas de alto valor genético gerem múltiplos potros por ano sem interromper suas carreiras esportivas.
Clonagem e evolução do polo argentino
Em 2012, a Federação Equestre Internacional (FEI) suspendeu a proibição de cavalos clonados em competições oficiais. O jogador Adolfo Cambiaso, lenda do polo argentino, foi um dos primeiros a adotar a tecnologia. Em 2014, ele venceu uma partida montando seis clones diferentes de sua égua favorita, Dolfina Cuartetera.
A clonagem, portanto, não é vista como uma ameaça à integridade do esporte. As regras esportivas são, em última análise, arbitrárias e podem ser ajustadas para acomodar avanços científicos, desde que mantidas a transparência e a justiça.
Futuro dos cavalos geneticamente modificados no polo
A Associação de Criadores de Cavalos de Polo da Argentina anunciou que monitorará o desenvolvimento dos clones geneticamente modificados nos próximos quatro ou cinco anos antes de decidir sobre seu registro oficial como cavalos de polo. A entidade busca equilibrar inovação e tradição no esporte.
"A melhor forma de reduzir potenciais danos — aos humanos ou aos cavalos — decorrentes do uso de aprimoramentos é trazer essas práticas à luz, permitindo que ocorram sob supervisão médica e pesquisa sólida."