Visita à Casa Branca termina em clima tenso

A tripulação da missão Artemis II, da NASA, foi recebida na Casa Branca na quarta-feira (29) para celebrar o sucesso da missão lunar. No entanto, o encontro tomou um rumo inesperado quando o presidente Donald Trump usou os astronautas como palco para criticar a OTAN.

Os astronautas, posicionados atrás do presidente durante a coletiva, demonstraram desconforto visível. Trump, sentado à mesa Resolute, dirigiu perguntas à tripulação sobre o papel dos EUA na aliança militar, questionando se os aliados estavam contribuindo adequadamente.

"O que você acha disso, Jared? Enviar ajuda depois que vencermos a guerra?"

Trump se dirigiu ao administrador da NASA, Jared Isaacman, terceiro ocupante do cargo desde janeiro de 2025.

O presidente então se virou para os astronautas, acenando com a mão aberta enquanto fazia comentários sobre o tema.

"Não quero envolver vocês, mas consigo imaginar o que estão pensando"

Trump afirmou, em tom de deboche.

Nenhum dos presentes no evento demonstrou concordância com suas críticas. Os astronautas fizeram caretas, contraíram os lábios e desviaram o olhar, enquanto Trump prosseguia com as perguntas da imprensa.

Críticas recorrentes à OTAN

Trump há anos ataca a OTAN, alegando, sem fundamento, que os membros não pagam suas contribuições. Ele insiste que os EUA são prejudicados pela aliança, embora especialistas esclareçam que a OTAN não funciona como um clube com taxas anuais.

Segundo Aaron O’Connell, ex-assessor de Barack Obama, a OTAN não mantém registros de pagamentos ou dívidas entre membros. "A OTAN não é como um clube com mensalidades", afirmou O’Connell em entrevista à NPR em 2018.

Apesar das críticas, o presidente continuou a acusar aliados de covardia por não apoiarem seu bloqueio ao Estreito de Ormuz, no Irã. Na terça-feira (28), o rei Charles III discursou perante o Congresso dos EUA, defendendo o fortalecimento da OTAN e lembrando que o Artigo 5 — que prevê defesa mútua — só foi invocado uma vez na história: após os ataques de 11 de setembro.

Mesmo com a mensagem do monarca britânico, Trump afirmou que gostou do discurso, mas deixou claro que sua posição sobre a OTAN e uma eventual saída dos EUA da aliança permaneceu inalterada.

Riscos de uma saída dos EUA da OTAN

Especialistas alertam que uma eventual saída dos EUA da OTAN poderia desestabilizar a aliança, enfraquecer a Europa e prejudicar a credibilidade internacional dos Estados Unidos como parceiro confiável.

John Bolton, ex-assessor de segurança nacional de Trump e ex-funcionário de Ronald Reagan, afirmou que as consequências de uma saída seriam "catastróficas". Segundo ele, a dissolução da OTAN poderia levar ao colapso da aliança, deixando a Europa fragmentada e os EUA isolados no cenário global.

A visita dos astronautas à Casa Branca, que deveria celebrar um marco da exploração espacial, terminou com um debate político que expôs as tensões entre Trump e os aliados ocidentais.