Trump defende perdão a Netanyahu e elogia Herzog

O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a pressionar o presidente israelense Isaac Herzog para que perdoe o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Em entrevista à Axios, Trump afirmou que Herzog poderia se tornar um "herói nacional" caso concedesse o perdão a Netanyahu, mesmo em meio a um cenário de guerra em Israel.

Segundo Trump, Netanyahu mencionou seu julgamento por corrupção durante uma ligação com Herzog na terça-feira (20). O ex-presidente criticou a decisão de Netanyahu de comparecer ao tribunal na quarta-feira, em vez de focar em questões relacionadas ao Irã. "No meio de uma guerra? Dá um tempo", declarou Trump.

Mudança de tom de Trump em relação a Herzog

Embora Trump tenha criticado Herzog repetidamente nos últimos meses, ele adotou um tom mais conciliatório na entrevista. "Eu gosto do cara, Herzog", afirmou Trump. "Ele será um herói nacional se perdoar o Bibi. Eu realmente vou apreciar muito isso."

Trump também minimizou as acusações contra Netanyahu, descrevendo-as como "vinho e charutos" — uma referência às alegações de que o primeiro-ministro teria recebido presentes em troca de favores políticos, o que Netanyahu nega. "O Bibi é um primeiro-ministro em tempos de guerra. Ele não pode ter isso pendurado sobre a cabeça", argumentou.

Pressão contínua desde junho de 2023

Trump tem defendido publicamente o perdão a Netanyahu desde junho de 2023, classificando o julgamento por corrupção — que se arrasta desde 2020 — como uma "caça às bruxas", semelhante às suas próprias dificuldades legais nos EUA.

No entanto, um perdão a Netanyahu poderia agradar a um segmento do eleitorado israelense, mas certamente enfureceria muitos outros. As eleições em Israel estão previstas para outubro, e, se Netanyahu perder, as chances de ele acabar na prisão aumentariam significativamente.

Negociações em andamento

Nesta semana, Herzog convidou os advogados de Netanyahu, o procurador-geral e o promotor público para discutir uma possível acordo judicial no caso do primeiro-ministro. Herzog afirmou que não tomará uma decisão sobre o perdão até que as negociações de um acordo sejam esgotadas.

Segundo Trump, Netanyahu "não consegue aceitar" um acordo e precisa de um perdão total. No entanto, as chances de um acordo são baixas, uma vez que exigiria que Netanyahu admitisse culpa em acusações que poderiam impedi-lo de exercer cargos públicos por um período.

Netanyahu rejeita qualquer admissão de culpa

Netanyahu tem se recusado a admitir qualquer irregularidade ou expressar arrependimento, duas condições essenciais para obter um perdão sob a lei israelense. Além disso, a promotoria parece pouco inclinada a aceitar um acordo que não inclua penas severas.

Em março, Trump havia chamado Herzog de "vergonha" por não perdoar Netanyahu e, em outra ocasião, o descreveu como "fraco e patético". Ainda não está claro o que levou Trump a mudar seu tom em relação a Herzog. Um alto funcionário israelense sugeriu que Trump pode ter percebido que suas críticas não estavam surtindo efeito ou que Netanyahu teria sugerido essa mudança de abordagem.

"O Bibi é um primeiro-ministro em tempos de guerra. Ele não pode ter isso pendurado sobre a cabeça."
— Donald Trump, em entrevista à Axios
Fonte: Axios