A eletrificação dos caminhões semirreboque começou com passos tímidos. Inicialmente, os veículos elétricos (VEs) eram destinados a rotas de curta distância, aquelas em que o caminhão consegue concluir sua operação com uma única carga. Estamos falando de grandes caminhões que realizam serviços de drayage — transporte de contêineres entre portos e armazéns próximos — ou vans de entrega que circulam pela cidade durante o dia.
Isso fazia sentido. Caminhões semirreboque são enormes e pesados; carregar uma bateria grande o suficiente para movê-los demanda muito tempo. A primeira geração de caminhões elétricos podia retornar à base e recarregar suas baterias durante a noite, sem pressa para voltar à estrada. No entanto, para que os semirreboques elétricos operem em rotas regionais — e, futuramente, nacionais — é necessário uma infraestrutura de megacarregadores, estações de recarga ultra-rápida capazes de fornecer energia muito superior àquela necessária para um carro elétrico comum.
Essa infraestrutura já está em desenvolvimento. Na última edição da ACT Expo, em Las Vegas — evento que reúne profissionais do setor de transporte e frotas para discutir eletrificação, combustíveis avançados e IA — o foco foi o avanço dos megacarregadores, tecnologia que tornará viáveis rotas atualmente exclusivas para caminhões movidos a diesel.
Como funcionam os megacarregadores?
Até agora, a maioria dos caminhões elétricos era carregada em estações com potência de até 350 quilowatts. Para um carro elétrico, isso é rápido: a Hyundai, por exemplo, afirma que o Ioniq 5 pode carregar de 10% a 80% em cerca de 15 minutos. No entanto, os caminhões têm necessidades energéticas muito maiores. Nessas velocidades, um semirreboque precisa de horas para recarregar — um tempo inviável para motoristas com prazos apertados.
Os megacarregadores, por sua vez, oferecem potência superior a 600 quilowatts, chegando a até 1,2 megawatt. Essa é a capacidade máxima do Tesla Megacharger, projetado especificamente para o Tesla Semi, que já está em produção em massa. Segundo a empresa, a versão de 1,2 megawatt consegue carregar cerca de 60% da bateria do caminhão em meia hora — o tempo de pausa obrigatório para motoristas após oito horas na estrada.
Henry Johnson, da Alpitronic — empresa europeia que desenvolve carregadores de alta potência — afirmou que, mesmo com 700 a 800 quilowatts, é possível recarregar caminhões com energia suficiente para completar a viagem em cerca de 45 minutos. De fato, os megacarregadores já estão consolidados na Europa, que lidera o setor de caminhões elétricos (um dos painéis da ACT Expo teve como título: “Megawatt Charging in Europe: Lessons for the U.S. Market”).
Infraestrutura nos EUA deve se expandir rapidamente
Nos Estados Unidos, a chegada dos megacarregadores está prevista para este ano. Patrick Macdonald-King, CEO da Greenlane — grupo apoiado pela Daimler que planeja construir uma rede de estações de recarga elétrica e hidrogênio para caminhões — afirmou:
“Os megacarregadores estão chegando este ano. Não estamos construindo nada sem essa tecnologia.”
A Greenlane já inaugurou uma estação modelo perto de San Bernardino, na Califórnia, com dezenas de carregadores de cerca de 400 quilowatts. No entanto, as futuras estações, projetadas para atender caminhões que viajam entre Los Angeles e outras cidades, serão equipadas com megacarregadores, garantindo viagens regionais e, em breve, nacionais com energia limpa.