O governo do ex-presidente Donald Trump segue firme em suas políticas consideradas discriminatórias contra projetos de energia eólica e solar. Durante audiência na Comissão de Recursos Naturais da Câmara dos Deputados, o secretário do Interior, Doug Burgum, anunciou que sua pasta irá recorrer de uma decisão judicial recente que bloqueou a aplicação dessas regras.
“Rejeitamos toda a premissa”, declarou Burgum, reforçando a posição da administração atual. Desde o início do mandato, o Departamento do Interior emitiu uma série de memorandos e ordens que sistematicamente prejudicam os projetos de energia renovável.
Em julho do ano passado, um memorando determinou que quase todas as aprovações no processo de licenciamento de energia eólica e solar fossem submetidas a revisões adicionais pela equipe do secretário. Posteriormente, outra ordem exigiu que a agência priorizasse projetos com maior densidade energética, ou seja, aqueles que produzem mais energia por acre de terra. Nesse contexto, a eólica e a solar foram classificadas como “altamente ineficientes” em comparação com carvão, nuclear e gás natural.
Essas políticas resultaram em um congelamento efetivo do desenvolvimento de energia renovável em terras públicas, além de atrasar projetos em terras privadas que dependem de consultas federais. Centenas de empreendimentos de energia limpa foram afetados. Até o final do ano passado, democratas afirmavam que não havia sentido em negociar uma reforma de licenciamento se o poder executivo pudesse simplesmente criar suas próprias regras.
Processo judicial e impacto nas negociações
Na mesma época, uma coalizão de grupos de energia limpa, incluindo a Clean Grid Alliance, a Alliance for Clean Energy New York e a Southern Renewable Energy Association, entrou com uma ação na Justiça federal de Massachusetts. Segundo o processo, as políticas do Interior “colocam tecnologias eólica e solar em um status de segunda classe, sem justificativa racional para tal tratamento desigual ou mudanças drásticas de política”, violando a intenção do Congresso ao favorecer determinadas fontes de energia em detrimento de outras. Os grupos argumentaram que as regras eram arbitrárias e desproporcionais, infringindo a Lei de Procedimentos Administrativos.
Em abril, a juíza Denise Casper acatou o pedido e emitiu uma liminar temporária, suspendendo os memorandos que prejudicavam a eólica e a solar.
Burgum minimiza decisão judicial e anuncia recurso
Durante a audiência na quarta-feira, a deputada Susie Lee, de Nevada, questionou Burgum sobre o impacto da decisão judicial em seu estado, conhecido pela alta incidência solar. Ela descreveu as políticas como “um caos total no licenciamento” e perguntou sobre as consequências imediatas da decisão para a agência.
“O senhor vai recorrer?”, perguntou Lee.
Burgum respondeu com desdém: “Com certeza. A ideia de que um único juiz possa decidir como nossa agência conduz o licenciamento é absurda.”
Ao final do interrogatório, Lee reiterou que o memorando de 15 de julho era o principal obstáculo para um acordo de reforma de licenciamento no Congresso. “Se o senhor simplesmente revogasse esse memorando, poderíamos aprovar a reforma de licenciamento ainda este ano e começar a discutir o licenciamento de todas as formas de energia.”
Mais tarde, Burgum também defendeu outra ação controversa da administração relacionada às renováveis. O deputado Dave Min, da Califórnia, questionou o acordo firmado pelo governo para pagar quase US$ 1 bilhão à empresa francesa Total para desistir de seus contratos de arrendamento de energia eólica offshore.