Usuários de MacBook Air com chip M1 ou modelos mais recentes enfrentam um problema crescente: o Chrome, navegador da Google, baixa automaticamente um modelo de IA de 4GB chamado Gemini Nano sem solicitar permissão ou notificar o usuário. O arquivo, chamado weights.bin, ocupa espaço valioso no disco rígido e, mesmo quando deletado, é reinstalado automaticamente pela próxima atualização do navegador.

Por que o Chrome instala o Gemini Nano?

O modelo foi integrado ao Chrome a partir da versão 126, lançada em junho de 2024. Segundo a Google, o objetivo é acelerar recursos de IA no navegador, como melhorar redação e edição de textos, processando tarefas localmente em vez de enviá-las para a nuvem. No entanto, muitos usuários não utilizam essas funções e acabam pagando um "imposto de armazenamento" por algo que não pediram.

O que o Google diz — e por que não funciona

Em fevereiro de 2025, a Google anunciou que adicionaria uma opção para desativar e remover o modelo de IA diretamente nas configurações do Chrome. A promessa, no entanto, não se aplica a todos os usuários. Em testes realizados em três máquinas — duas com macOS Sonoma e uma com Windows 11 — apenas a versão para Windows oferecia a opção "IA no dispositivo" para desativar o Gemini Nano.

Em comunicado enviado à imprensa, a empresa afirmou:

«Em fevereiro, começamos a disponibilizar aos usuários a capacidade de desativar e remover o modelo diretamente nas configurações do Chrome. Após a desativação, o modelo não será mais baixado ou atualizado.»

Apesar disso, a empresa não esclareceu quando os usuários de Mac receberão a atualização. Em resposta a esta reportagem, um porta-voz da Google não ofereceu mais detalhes ou previsão de implementação.

Tentativas frustradas de remoção

Muitos usuários e veículos de tecnologia tentaram soluções alternativas, como desativar recursos experimentais do Chrome (conhecidos como "flags"). No entanto, essas medidas não funcionaram em sistemas macOS testados. O arquivo weights.bin continua sendo reinstalado automaticamente, consumindo espaço sem aviso prévio.

O que NÃO funciona:

  • Excluir manualmente o arquivo weights.bin — o Chrome o baixa novamente;
  • Desativar flags experimentais do Chrome — não impede a reinstalação;
  • Limpar cache ou dados do navegador — o modelo permanece;
  • Reinstalar o Chrome — a função persiste em novas instalações.

Soluções possíveis para usuários de Mac

Embora a Google não tenha oferecido uma solução definitiva, algumas alternativas podem ajudar a minimizar o impacto do Gemini Nano:

1. Desativar recursos de IA no Chrome

Mesmo sem a opção oficial, é possível tentar limitar o uso do modelo:

  • Acesse chrome://settings/system e desative a opção "Usar IA no dispositivo para melhorar recursos";
  • Reinicie o navegador para aplicar as mudanças.

2. Bloquear o download do arquivo via Firewall

Ferramentas como o Little Snitch (pago) ou o LuLu (gratuito) permitem bloquear conexões específicas do Chrome. Ao identificar o download do weights.bin, o usuário pode impedir que o arquivo seja salvo no disco.

3. Alternar para outro navegador

Se o Chrome não for essencial, Firefox, Safari ou Brave não incluem o modelo de IA e não ocupam espaço adicional com arquivos desnecessários.

Conclusão: Quando a Google vai resolver o problema?

A situação expõe um problema de transparência e controle por parte da Google. Embora o Gemini Nano prometa melhorar a experiência do usuário, a falta de opção clara para removê-lo — especialmente em Macs — gera frustração. Até que a empresa disponibilize uma solução definitiva, usuários precisam recorrer a alternativas para evitar o desperdício de espaço.

Se você é afetado pelo problema, compartilhe sua experiência nas redes sociais com a hashtag #ChromeRemoveGemini para pressionar por uma resposta da Google.