A apenas meses das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, uma análise da ProPublica revela que o ex-presidente Donald Trump vem desmantelando as estruturas de proteção eleitoral que, em 2020, evitaram uma crise institucional. Especialistas e ex-funcionários governamentais alertam que, agora, aliados de Trump ocupam cargos-chave capazes de influenciar o processo eleitoral.
O que mudou desde 2020?
Em 2020, mesmo após sua derrota, Trump tentou reverter o resultado, pressionando autoridades federais para encontrar indícios de fraude. No entanto, William Barr, então procurador-geral, confirmou que não havia provas de manipulação nas eleições. Outros funcionários, muitos nomeados por Trump, também resistiram às tentativas de subverter o processo, garantindo que os resultados fossem mantidos, mesmo após a invasão do Capitólio em 6 de janeiro de 2021.
Hoje, menos de 18 meses após o início de seu segundo mandato, Trump já removeu ou realocou pelo menos 75 funcionários públicos que atuavam em agências como o Departamento de Segurança Interna (DHS) e o Departamento de Justiça, responsáveis pela segurança eleitoral. Em seus lugares, foram nomeados cerca de duas dezenas de aliados, incluindo dez que trabalharam ativamente para reverter a eleição de 2020 e outros ligados a grupos negacionistas.
Riscos para a integridade eleitoral
Derek Tisler, do Brennan Center for Justice, alerta que declarações falsas vindas de autoridades governamentais podem minar a confiança dos eleitores:
"É difícil desmentir alegações sem credibilidade quando elas vêm com o selo do governo federal. Preocupa muito o dano que isso pode causar à percepção pública."
Entre os novos nomeados estão figuras de grupos ativistas que negam a validade da eleição de 2020, como a Turning Point Action e a Election Integrity Network. Esses indivíduos agora ocupam cargos que lhes dão acesso a informações privilegiadas sobre o processo eleitoral, levantando preocupações sobre possíveis interferências.
Principais mudanças nas agências eleitorais
- Departamento de Segurança Interna (DHS): Redução drástica de especialistas em cibersegurança eleitoral, substituídos por aliados de Trump.
- Departamento de Justiça: Nomeação de procuradores que já atuaram em processos questionando resultados eleitorais.
- Outras agências: Inclusão de membros de organizações que promovem teorias conspiratórias sobre fraudes eleitorais.
O que esperar nas eleições de 2024?
Com a aproximação das eleições de meio de mandato, especialistas temem que a desinformação e a politização do processo eleitoral se intensifiquem. A remoção de profissionais experientes e a nomeação de aliados sem expertise técnica podem comprometer a transparência e a segurança do pleito.
Para ex-funcionários do governo, a situação atual é mais perigosa do que em 2020, pois agora há menos barreiras institucionais para conter tentativas de manipulação. A confiança do público nas eleições, já abalada por anos de desinformação, pode sofrer novo golpe.