Peter Gold, cofundador da WG Pictures, alcançou uma média de US$ 33.138 por tela na estreia de "Nosso Herói Balthazar", no dia 27 de março, no cinema Regal Union Square, em Nova York. O resultado foi suficiente para liderar o box office de cinema especializado na primeira semana de exibição. Com apenas 26 anos, Gold distribuiu o filme sem gastar um único dólar em publicidade tradicional.
Em vez de anúncios pagos, a estratégia da WG Pictures se baseou em três pilares: o alcance combinado de 40 milhões de seguidores nas redes sociais do elenco, um vídeo viral do influenciador Caleb Simpson — conhecido por seus tours virtuais de apartamentos — que atingiu 15 milhões de visualizações, e uma abordagem que mescla marketing e conteúdo de forma orgânica.
O longa, uma comédia negra estrelada por Jaden Martell, Asa Butterfield e Noah Centineo, acompanha um adolescente rico de Nova York que, em busca de impressionar uma ativista, segue uma conexão online até o Texas, acreditando poder evitar um ato de extrema violência. Após o sucesso inicial, o filme expandiu sua exibição para 300 telas em todo o país, incluindo cinemas como o Angelika, em Nova York, e salas em Cleveland. A estratégia de divulgação continuou a explorar o engajamento nas redes sociais e eventos locais com influenciadores em cada cidade.
Em entrevista ao The Wrap, Gold e seu sócio, o produtor Brad Wyman, discutiram por que acreditam que a publicidade tradicional "prejudica a marca como um todo", como uma conta no Instagram de um personagem do filme, com 44 mil seguidores, impulsionou conversas sobre a obra e por que o crescimento da A24 e da Neon abriu espaço para novos players no mercado de cinema independente.
Início precoce e influência de mentores
Gold começou a produzir filmes aos 15 anos e teve como mentores Esther Wojcicki e James Franco. Ao The Wrap, ele explicou como essas relações moldaram sua trajetória atual na WG Pictures:
"Acredito que tudo se resume a autoconfiança e iniciativa. Na aula de jornalismo de Esther, tudo era liderado pelos alunos. Ela atuava mais como uma observadora e estrategista, criando um ambiente onde aprendíamos fazendo. A turma funcionava como uma redação real, e o programa de cinema seguia a mesma lógica: simplesmente fazíamos o filme e descobríamos como resolver os desafios, como conseguir locações e todos os detalhes envolvidos. Esther nos incentivava a agir quando víamos uma oportunidade ou um propósito no mercado ou na indústria cinematográfica. Esses princípios foram internalizados muito cedo."
O que Gold viu que outros distribuidores não enxergaram
Quando a maioria dos distribuidores rejeitou "Nosso Herói Balthazar", Gold e Wyman viram potencial onde outros não viram:
"Nós simplesmente amamos o filme. Não se trata de compará-lo a outros, mas de reconhecer que é emocionante, intenso, sombrio e aborda temas importantes. É uma experiência única, uma montanha-russa de emoções."
A abordagem inovadora da WG Pictures, que dispensou gastos com publicidade tradicional, prova que o sucesso no cinema independente pode vir de estratégias criativas e autênticas, aproveitando o poder das redes sociais e do engajamento orgânico.