Nos últimos anos, comunidades pesqueiras ao longo do Golfo do México, nos Estados Unidos, e em pequenas ilhas das Filipinas enfrentam uma ameaça comum: a expansão de projetos de gás natural. Enquanto a Louisiana, nos EUA, se prepara para se tornar um dos maiores centros de exportação de gás liquefeito do mundo, ilhas como as da Passagem de Verde Island, nas Filipinas, sofrem com a importação desse combustível fóssil.

Essa dinâmica global coloca em risco não apenas os meios de vida das populações locais, mas também ecossistemas marinhos únicos. A Passagem de Verde Island é conhecida como o centro da biodiversidade de peixes costeiros do mundo, abrigando mais de 1.700 espécies — um número maior do que em qualquer outro lugar do planeta. Além disso, a região faz parte do Triângulo de Coral, uma área crítica para a saúde dos oceanos.

Nos EUA, a cultura da pesca e da culinária à base de frutos do mar, como caranguejos, camarões e gumbo, está profundamente ligada à identidade da Louisiana. Muitas famílias dependem da pesca para sobreviver, assim como ocorre nas comunidades costeiras das Filipinas. No entanto, a poluição e os derramamentos de óleo já deixaram marcas visíveis.

Recentemente, um derramamento na Passagem de Verde Island contaminou as águas, afetando a vida marinha e as comunidades locais. Nas refinarias de Lake Charles, na Louisiana, o cheiro de fumaça e os avisos sobre a poluição em crustáceos são realidade para quem vive na região. O gás produzido ali é transportado por navios, muitas vezes cruzando oceanos e chegando até o Triângulo de Coral, onde a Passagem de Verde Island conecta o Mar da China Meridional ao Mar de Sibuyan.

A luta das comunidades e a resistência global

A ativista Roishetta Ozane, fundadora do Vessel Project of Louisiana, tem sido uma voz central na mobilização contra os projetos de gás na região. Em 2019, ela organizou reuniões comunitárias para discutir os impactos do gás natural liquefeito (GNL) e promover um futuro com energia limpa. Ozane também tem conectado ativistas de diferentes partes do mundo, incluindo Texas, Japão, Filipinas e Canadá, em uma luta coletiva por justiça ambiental.

Sua trajetória chamou a atenção de figuras como a atriz Jane Fonda, que participou de ações como o Fire Drill Friday e colaborou no documentário Gaslit, destacando o papel de Ozane e outros ativistas na defesa do meio ambiente. Para Ozane, a luta não é apenas local, mas global: "Precisamos proteger nossos oceanos e nossas comunidades. O gás natural não é uma solução; é uma ameaça que devemos enfrentar juntos."

Um chamado à ação

O futuro da Passagem de Verde Island e do Golfo do México depende de decisões políticas e da pressão popular. Projetos de gás natural não só colocam em risco a biodiversidade, mas também a segurança alimentar e a cultura de milhões de pessoas. Organizações e ativistas pedem que governos e empresas reconsiderem esses empreendimentos e invistam em energias renováveis.

Enquanto isso, comunidades como as de Lake Charles e das Filipinas continuam a resistir, unidas pela mesma luta: proteger seus lares, seus meios de vida e o planeta.