Em meio a uma série de crises nos Estados Unidos, como conflitos internacionais, instabilidade econômica e outras prioridades legislativas, o Congresso norte-americano decidiu apresentar um projeto de lei para condenar declarações de dois influenciadores digitais: Hasan Piker e Candace Owens.

Os deputados democratas Josh Gottheimer e republicano Mike Lawler propuseram, na quarta-feira (15), uma resolução que critica o que chamam de "aumento da retórica antissemita e de ódio disseminada por personalidades online proeminentes". A medida também pede que plataformas de mídia social e líderes públicos atuem com mais rigor contra o discurso de ódio.

Em comunicado, Lawler afirmou que Piker teria elogiado publicamente o terrorismo do Hamas, minimizado a violência sexual contra civis em 7 de outubro e chamado judeus ortodoxos de 'consanguíneos'. Já Owens foi acusada de promover teorias conspiratórias, defender a teoria do sangue libanês e dar espaço a negacionistas do Holocausto.

"Eles têm milhões de seguidores e, portanto, a responsabilidade de combater o ódio e o preconceito, não de amplificá-lo", declarou Lawler. Gottheimer, por sua vez, afirmou: "Nossos eleitores não nos elegeram para tomar sempre o caminho fácil. É isso que define uma liderança principista".

Hasan Piker, conhecido por seu ativismo de esquerda na plataforma Twitch, enfrenta críticas de grupos pró-Israel, como AIPAC e Third Way, por supostas declarações antissemitas em sua defesa à causa palestina. Embora Piker tenha condenado ataques contra judeus e o judaísmo, a polêmica persiste. Candace Owens, por outro lado, tem histórico de declarações abertamente antissemitas, como a afirmação de que "judeus controlam a mídia".

Críticos da proposta, no entanto, questionam sua relevância. Em um cenário de guerra com o Irã, crise econômica e outras demandas legislativas urgentes, uma resolução simbólica contra dois influenciadores parece não ser uma prioridade bipartidária. Além disso, especialistas duvidam que a medida possa efetivamente coibir o discurso de ódio.

A discussão levanta debates sobre liberdade de expressão, responsabilidade digital e o papel do Congresso em tempos de polarização extrema.