O Congresso dos Estados Unidos enfrenta sua maior crise de assédio sexual desde o movimento #MeToo, que abalou a capital americana entre 2017 e 2018. As recentes denúncias expõem uma cultura de impunidade ainda presente no Capitólio, apesar das reformas implementadas há quase uma década.

Renúncias e denúncias recentes

O cenário atual ganhou força após a renúncia de dois deputados federais: Tony Gonzales (R-Texas) e Eric Swalwell (D-Calif.), ambos acusados de má conduta sexual. Swalwell nega as acusações, enquanto Gonzales admitiu um caso extraconjugal com uma assessora que, posteriormente, cometeu suicídio.

Outro caso recente envolve o deputado Chuck Edwards (R-N.C.), acusado de assédio a duas jovens funcionárias. Edwards chamou as alegações de "besteira", mas não se pronunciou diretamente sobre os relatos. A congressista Anna Paulina Luna (R-Fla.) afirmou que "qualquer membro do Congresso envolvido em relacionamento inadequado com assessores deve ser afastado".

Pressão por mudanças

As demandas por responsabilização vêm crescendo, especialmente entre mulheres republicanas no Congresso. Nancy Mace (R-S.C.), Lauren Boebert (R-Colo.) e Luna têm sido vozes ativas na cobrança por punições a colegas acusados de má conduta.

Mace, por exemplo, liderou esforços para expulsar o deputado Cory Mills (R-Fla.), acusado de assédio sexual, irregularidades financeiras e violações de campanha. Na segunda-feira (12), ela divulgou documentos que revelam pagamentos de mais de US$ 338 mil em recursos públicos para resolver casos de assédio sexual envolvendo oito ex-parlamentares ao longo de dez anos.

Fragilidades nas reformas de 2014

As reformas implementadas em 2014, após o escândalo de assédio no Capitólio, não conseguiram eliminar a cultura de tolerância à má conduta. A Comissão de Ética da Câmara, responsável por investigar denúncias, é criticada por sua lentidão. Membros de ambos os partidos alegam que os processos podem levar meses ou anos para serem concluídos.

O presidente da comissão, Michael Guest (R-Miss.), admitiu a necessidade de mais recursos para agilizar as investigações. Em comunicado recente, a comissão informou ter investigado 20 casos de assédio sexual desde 2017, mas não divulgou nomes dos envolvidos.

Contexto político e impunidade

A pressão por transparência aumentou após a liberação de documentos relacionados ao condenado Jeffrey Epstein, um caso que só avançou graças à união de mulheres republicanas com o deputado Thomas Massie (R-Ky.), apesar da resistência do ex-presidente Donald Trump.

O cenário atual mostra que, mesmo com reformas, a cultura de impunidade persiste no Congresso, exigindo ações mais firmes para garantir a segurança e o respeito aos funcionários do Capitólio.

Fonte: Axios