Mais de 63 milhões de pessoas nos Estados Unidos dedicam parte de suas vidas a cuidar de crianças, pais ou outros entes queridos. Entre elas, quase metade dos cuidadores com menos de 50 anos acumula a responsabilidade de cuidar tanto de um filho quanto de um genitor ao mesmo tempo.

Essa rotina desgastante pode deixar qualquer pessoa exausta. Embora o burnout seja comumente associado ao ambiente profissional, o papel de cuidador também impõe um fardo emocional e físico significativo. Amy Goyer, especialista em cuidados familiares da AARP, conhece bem essa realidade: ela atua como cuidadora desde os 20 anos, primeiro com seus avós, depois com seus pais e irmã.

“Eu sentia como se estivesse vivendo quatro vidas ao mesmo tempo”, revelou Goyer em entrevista ao podcast Explain It to Me, da Vox. “Quando você ama alguém que está passando por sofrimento físico, emocional ou financeiro, acaba absorvendo essas tensões. É como se uma membrana fina se formasse entre vocês, tornando tudo ainda mais pesado.”

O que é o 'estresse de segunda mão'?

Esse fenômeno ocorre quando o cuidador passa a sentir as mesmas emoções da pessoa sob seus cuidados — ansiedade, tristeza ou frustração — como se estivesse “pegando emprestado” esses sentimentos. Goyer compara a situação a um resfriado emocional: “É como se você estivesse absorvendo o estresse alheio, o que acaba afetando sua própria saúde mental”.

Diferentemente de um emprego, no qual é possível pedir demissão, o papel de cuidador não oferece essa saída fácil. O desejo de “desistir” é um dos principais sinais de alerta para o burnout.

Como prevenir o esgotamento?

Goyer desenvolveu uma filosofia durante os anos em que cuidou de múltiplos familiares ao mesmo tempo. “Certa vez, enquanto dirigia, percebi que estava ‘no vazio’ — sem combustível emocional”, contou. “A partir daquele momento, passei a priorizar meu autocuidado, porque, sem energia, não há como ajudar ninguém.”

Para evitar o esgotamento, especialistas recomendam:

  • Estabelecer limites: Delegar tarefas quando possível e aceitar ajuda de outros familiares ou profissionais.
  • Buscar apoio: Participar de grupos de cuidadores ou procurar terapia para compartilhar experiências e aliviar a carga emocional.
  • Cuidar da saúde física: Manter uma rotina de sono, alimentação equilibrada e exercícios, mesmo que em pequenas doses.
  • Reconhecer os sinais: Fadiga constante, irritabilidade ou sentimentos de desesperança são alertas importantes.

Para ouvir a entrevista completa com Amy Goyer, acesse o episódio no Apple Podcasts, Spotify ou em sua plataforma de preferência. Dúvidas podem ser enviadas para [email protected] ou pelo telefone 1-800-618-8545.

Fonte: Vox