Em um debate sobre democracia e reformas políticas, dois renomados cientistas políticos analisaram os problemas inerentes aos sistemas presidenciais, como o dos Estados Unidos, e sugeriram caminhos para aprimorar a governança até 2029.
A discussão, transmitida na edição de 13 de maio do programa Right Now With Perry Bacon, contou com a participação de Lee Drutman, pesquisador da New America Foundation, e Mark Copelovitch, professor da Universidade de Wisconsin. Enquanto Drutman foca em partidos políticos e reformas institucionais, Copelovitch estuda economia política internacional, com ênfase em comparações entre EUA e Europa.
Presidencialismo: um sistema problemático para a democracia?
O ponto central da conversa foi a crítica ao presidencialismo, modelo adotado nos EUA e em diversos países. Segundo Copelovitch, sistemas presidenciais apresentam falhas estruturais que dificultam a responsabilização de líderes, mesmo em casos de corrupção ou má gestão.
“O presidencialismo, como o dos EUA, torna quase impossível remover um presidente que comete crimes ou viola leis, ao contrário dos sistemas parlamentares.”
Mark Copelovitch citou o estudo clássico de Juan Linz, The Perils of Presidentialism (1990), que destaca a dualidade de legitimidade e a rigidez na substituição de líderes em regimes presidenciais. Em sistemas parlamentares, como o do Reino Unido, a remoção de um primeiro-ministro pode ocorrer rapidamente por meio de votações de confiança, sem a necessidade de processos judiciais prolongados.
Reformas necessárias para 2029
Drutman e Copelovitch propuseram três eixos principais para reformar o sistema político americano:
- Redução do poder presidencial: Limitar a autoridade executiva para evitar abusos, como a concentração de poder em uma única figura.
- Reforma eleitoral: Adotar sistemas proporcionais ou mistos para diminuir a polarização e aumentar a representatividade.
- Accountability reforçada: Criar mecanismos mais ágeis para remover líderes corruptos ou incompetentes, inspirados em modelos parlamentares.
Os especialistas também destacaram que, embora o foco midiático muitas vezes recaia sobre o Partido Republicano nos EUA, as falhas estruturais do sistema vão além de uma única legenda. A discussão, portanto, convida a uma reflexão mais ampla sobre o futuro da democracia.