Dois cidadãos norte-americanos foram condenados a 18 meses de prisão por administrar fazendas de laptops que facilitaram um esquema de trabalhadores remotos de TI da Coreia do Norte, anunciou o Departamento de Justiça dos EUA na quarta-feira (14).

Matthew Issac Knoot e Erick Ntekereze Prince receberam e abrigaram laptops em suas residências para enganar empresas americanas, fazendo com que os trabalhadores de TI contratados parecessem estar localizados nos Estados Unidos. Juntos, os dois esquemas impactaram quase 70 empresas dos EUA e geraram cerca de US$ 1,2 milhão em receita para o regime norte-coreano.

Declaracões e consequências legais

“O FBI e nossos parceiros continuarão a interromper a capacidade da Coreia do Norte de contornar sanções e financiar seu regime totalitário”, afirmou Brett Leatherman, chefe da Divisão Cibernética do FBI, em comunicado. “Esses casos devem deixar claro que americanos que facilitam esses esquemas serão identificados e responsabilizados. Abrigar laptops para trabalhadores de TI da RPDC é crime federal que afeta diretamente a segurança nacional, e essas sentenças servem de alerta a quem considerar participar.”

Detalhes das operações

Knoot, residente de Nashville, no Tennessee, e Prince, de Nova York, receberam laptops de empresas americanas desavisadas e instalaram aplicativos de acesso remoto nos dispositivos. Isso permitiu que cúmplices trabalhassem de qualquer lugar, enquanto as empresas acreditavam que estavam contratando profissionais locais.

Prince, dono da empresa Taggcar, foi contratado para fornecer trabalhadores de TI a vítimas nos EUA entre junho de 2020 e agosto de 2024. Ele se declarou culpado em novembro de 2025 por conspiração de fraude eletrônica relacionada ao esquema. Prince foi indiciado em janeiro de 2025, juntamente com supostos cúmplices, que, coletivamente, obtiveram empregos para trabalhadores de TI norte-coreanos em 64 empresas americanas, gerando quase US$ 950 mil em pagamentos salariais.

Um juiz federal condenou Prince na quarta-feira e ordenou o confisco de US$ 89 mil, valor que ele obteve pessoalmente com o esquema.

Envolvimento de Knoot e perdas financeiras

Knoot foi preso em agosto de 2024, um ano após o FBI revistar sua casa. Autoridades afirmaram que ele fez declarações falsas e enganosas e destruiu provas para obstruir a investigação. Empresas vítimas pagaram a trabalhadores norte-coreanos vinculados à fazenda de laptops de Knoot mais de US$ 250 mil entre julho de 2022 e agosto de 2023. Os fundos foram transferidos para contas associadas a Knoot, norte-coreanos e chineses, segundo os oficiais.

Knoot foi condenado em 1º de maio e obrigado a pagar US$ 15,1 mil em indenização às empresas afetadas, além de perder mais US$ 15,1 mil — valor equivalente ao que obteve diretamente com o esquema.

Impacto e medidas contra o esquema

A dupla se junta a uma lista crescente de pessoas processadas e presas por apoiar o esquema da Coreia do Norte, que gera centenas de milhões de dólares anualmente para o regime, financiando seu exército e programas de armas. Autoridades intensificaram ações contra a atividade criminosa, incluindo o sequestro de criptomoedas relacionadas a roubos e o combate a facilitadores nos EUA que forneciam identidades falsas ou abrigavam laptops para operativos norte-coreanos.

Apesar das medidas, o esquema permanece disseminado e já teria infiltrado um número indeterminado de empresas, incluindo centenas da lista Fortune 500.