Estudo revela mudança de postura entre economistas sobre IA e empregos
Economistas, tradicionalmente céticos quanto ao impacto da IA no mercado de trabalho, começam a rever suas projeções. Um estudo recente, conduzido por pesquisadores do Federal Reserve Bank de Chicago, do Forecasting Research Institute (FRI) e de universidades de ponta, indica que a visão pessimista sobre a automação está ganhando força.
A pesquisa, que ouviu 69 economistas, 52 especialistas em IA e 38 "superprevisores" — analistas com histórico de alta precisão —, aponta que todos os grupos preveem progresso significativo da IA nos próximos anos. No entanto, há um consenso preocupante: o avanço mais rápido da tecnologia tende a reduzir as taxas de emprego.
Cenários projetados para 2030
Os participantes do estudo avaliaram dois cenários principais:
- Progresso moderado (47% de probabilidade): Sistemas capazes de operar laboratórios semi-autônomos, produzir romances de alta qualidade e concluir projetos complexos com supervisão.
- Progresso rápido (14% de probabilidade): IA capaz de concluir anos de pesquisa em dias, gerar obras de nível Grammy/Pulitzer e atuar com autonomia semelhante à de um CEO.
Impacto no mercado de trabalho
No cenário moderado, os economistas preveem uma queda de 1,6% na participação da força de trabalho nos EUA nos próximos cinco anos. Atualmente, a taxa está em 61,9%. Já no cenário rápido, a participação cairia para 59,3% até 2030 — o primeiro patamar abaixo de 60% em mais de cinco décadas.
"Há discussões suficientes sobre isso para que, como país, devamos pensar em quais políticas fazem sentido em um mundo onde a forma como trabalhamos e construímos carreiras muda muito nos próximos dois a cinco anos."
Nem tudo é distopia: lições do passado
Apesar do tom pessimista, os pesquisadores destacam que a história mostra períodos de desigualdade econômica semelhantes aos cenários mais extremos da IA, como o período anterior à Segunda Guerra Mundial. Isso sugere que, embora o impacto da automação seja real, não há consenso sobre um futuro inevitavelmente distópico.
O estudo, intitulado Forecasting Research Institute, reforça a necessidade de políticas públicas que preparem a sociedade para possíveis transformações no mercado de trabalho, sem, no entanto, prever um colapso iminente.