A Coinbase, uma das maiores exchanges de criptomoedas do mundo, ficou inoperante por mais de sete horas na última quinta-feira (8). O motivo foi um superaquecimento em um data center da Amazon Web Services (AWS), que afetou seus serviços na nuvem e interrompeu operações essenciais, como compra, venda e exibição de preços de ativos digitais.

Segundo a Coinbase, os usuários não conseguiam acessar a plataforma para realizar transações, enquanto os preços dos livros de ordens apresentavam discrepâncias de até centenas de dólares em relação a concorrentes como Binance e Hyperliquid.

A causa do problema, segundo a Coinbase, foi o aumento de temperatura nos servidores da AWS. A Amazon confirmou um “evento térmico” em um de seus data centers na região de Northern Virginia, nos Estados Unidos, o que teria afetado o hardware de hospedagem em nuvem e levado à perda de energia.

Em comunicado, a AWS informou que estava trabalhando para restaurar os níveis normais de temperatura e reativar os servidores afetados na região US-EAST-1. A empresa também afirmou que está implementando capacidade adicional de resfriamento para recuperar os racks impactados de forma controlada e segura.

Como funciona o resfriamento da AWS?

A Amazon utiliza um sistema de resfriamento por evaporação, no qual filtros dos aparelhos de ar-condicionado são umedecidos com água. Esse processo resfria o ar quente que entra nos data centers e evapora a água, mantendo a temperatura estável. A Microsoft adota um sistema semelhante.

Coinbase retoma operações após recuperação da AWS

Após a normalização dos servidores, a Coinbase anunciou que todos os mercados foram reativados para negociação na exchange. Antes disso, a plataforma havia colocado todos os mercados em modo “Cancel Only”, permitindo apenas o cancelamento de ordens pendentes, antes de reativar as negociações. Posteriormente, os mercados foram transferidos para o modo “leilão”.

Problemas recorrentes e dependência da AWS

Esse incidente agrava uma sequência de problemas enfrentados pela Coinbase em 2026. Na semana passada, a empresa demitiu 14% de seus funcionários e registrou prejuízos de US$ 394 milhões no primeiro trimestre do ano. O engenheiro de software Gergely Orosz destacou que a paralisação reforça uma dependência crítica da Coinbase em relação à AWS.

"Esse tempo de inatividade é uma situação infeliz para a Coinbase, poucos dias após o CEO afirmar que equipes não técnicas estão lançando código em produção. A exchange parece ter uma dependência difícil da AWS: quando a Amazon (ou parte dela) cai, a Coinbase também cai. Isso é uma péssima propaganda."

Em 2025, outras exchanges de criptomoedas já haviam sofrido interrupções devido a problemas na AWS. A Binance suspendeu saques, enquanto KuCoin, MEXC e a carteira Rabby também enfrentaram instabilidades após uma queda de energia em data centers da Amazon na região de Singapura.

Fonte: Protos