Funcionário morre em depósito da Amazon e equipe é instruída a ignorar o ocorrido

A Amazon está novamente sob os holofotes por denúncias de negligência em seus centros de distribuição. Uma investigação recente revelou que, em abril deste ano, um funcionário morreu no depósito da empresa em Troutdale, Oregon, e os supervisores orientaram os colegas a ignorar o corpo e retornar ao trabalho.

O caso foi revelado pela primeira vez pela publicação The Western Edge, que obteve depoimentos de funcionários. Segundo relatos, o trabalhador, identificado apenas como Sam, viu o corpo inerte no chão, mas foi instruído a não olhar e seguir com suas atividades.

"Comecei a chorar e disse: ‘Quero ajudar, por favor!’ Sabia que ela iria se cansar e precisar ser substituída. Tem que ser a equipe de gestão ou segurança", contou Sam à revista. O supervisor respondeu: ‘Vire-se e não olhe. Vamos voltar ao trabalho.’

Outra funcionária tentou realizar manobras de RCP (reanimação cardiopulmonar) na vítima, mas também foi impedida. Sam, treinado em primeiros socorros, ofereceu ajuda, mas foi ignorado. Até o supervisor, segundo relatos, estava visivelmente abalado.

Condições precárias e falta de transparência

Funcionários do local também relataram que materiais de isolamento acústico bloqueavam a ventilação, elevando a temperatura no ambiente. Em 2019, o Portland Mercury já havia classificado o depósito como ‘notoriamente perigoso’.

A Amazon manteve segredo sobre a morte por horas. Muitos funcionários só souberam do ocorrido ao final de seus turnos, às 15h45, e foram dispensados sem saber o que havia acontecido. Alguns trabalhadores, inclusive, continuaram atuando por horas após o incidente.

Amazon nega irregularidades, mas relatos levantam dúvidas

A empresa negou as acusações, afirmando que segue protocolos de segurança e respeito aos funcionários. No entanto, investigações anteriores, como a do senador Bernie Sanders em 2024, já haviam criticado a Amazon por priorizar produtividade em detrimento da segurança.

Em 2023, a OSHA (Occupational Safety and Health Administration) multou a Amazon em milhões por condições inseguras, embora a empresa tenha recorrido das penalidades. O caso atual reforça questionamentos sobre a cultura corporativa da gigante do varejo.

O funcionário que faleceu atuava como ‘tote runner’ — um cargo que exige movimentação constante de grandes caixas plásticas amarelas, atividade fisicamente extenuante. A causa da morte ainda não foi divulgada.

Incidente recente reforça críticas à Amazon

O caso ocorre dias após um homem atear fogo em um depósito de 1,2 milhão de pés quadrados da Amazon, repleto de papel higiênico e outros materiais inflamáveis. Em vídeo, ele declarou: ‘Só bastava pagar o suficiente para a gente viver’.

Funcionários e ativistas têm pressionado a empresa por melhores condições de trabalho, mas denúncias como essa continuam a surgir, colocando em xeque a reputação da Amazon em relação ao bem-estar de seus colaboradores.

Fonte: Futurism