Óculos com IA da Meta são alvo de investigação e protestos

A Meta enfrenta crescente resistência após uma investigação conjunta de dois jornais suecos revelar que contratados no Quênia tinham acesso a vídeos pessoais gravados por usuários dos óculos Ray-Ban AI. O dispositivo, que permite gravar pessoas em público sem seu conhecimento, já era criticado por ser chamado de "óculos pervertidos" nas redes sociais.

Reconhecimento facial acirra polêmica

O lançamento de uma nova função de reconhecimento facial, apelidada internamente de Name Tag, intensificou os protestos. Segundo o Wired, mais de 70 organizações de direitos civis, violência doméstica, LGBTQ+, trabalhistas e de defesa de imigrantes assinaram uma petição exigindo que a Meta cancele o projeto.

A função permitiria que usuários identificassem pessoas em tempo real por meio de um assistente de IA, recebendo informações sobre elas. Documentos internos obtidos pelo New York Times indicavam que a Meta planejava lançar a tecnologia em uma conferência para pessoas com deficiência visual, acreditando que grupos de direitos civis estariam ocupados com outras pautas devido ao cenário geopolítico.

"Vamos lançar em um ambiente político dinâmico, onde muitos grupos da sociedade civil que esperávamos que nos atacassem teriam seus recursos focados em outras preocupações."

Documento interno da Meta, citado pelo NYT

Coalizão exige que Meta desista do projeto

Em carta aberta ao CEO Mark Zuckerberg, a coalizão de 75 organizações acusou a empresa de "aproveitar o autoritarismo crescente e o desrespeito do governo federal às leis para lançar um produto que prejudicará pessoas vulneráveis e ameaçará nossa democracia".

A lista de signatários inclui organizações como ACLU, Electronic Frontier Foundation, GLAAD, Mothers Against Media Addiction, Reproductive Equity Now e Women’s Bar Association of Massachusetts.

A carta destaca que, há duas décadas, a cultura do "move fast and break things" da Meta explora consumidores e põe em risco comunidades vulneráveis. "Os novos planos da Meta só agravarão esse histórico desastroso", afirmam.

Riscos à privacidade e segurança

Os ativistas argumentam que a tecnologia não pode ser regulada por ajustes no produto, mecanismos de opt-out ou salvaguardas incrementais, especialmente porque pessoas em locais públicos não podem consentir com sua identificação. A situação é ainda mais preocupante diante da militarização do ICE (Imigração e Alfândega dos EUA) durante o governo Trump, que já utiliza tecnologia avançada para rastrear alvos.

"As pessoas devem poder circular livremente sem medo de que perseguidores, golpistas, agressores, agentes federais e ativistas de todos os espectros políticos verifiquem suas identidades silenciosa e invisivelmente, possivelmente vinculando seus nomes a informações sensíveis", alerta a coalizão.

O que diz a Meta?

A empresa ainda não se pronunciou publicamente sobre as acusações. No entanto, em fevereiro, um porta-voz afirmou ao NYT que a Meta estava em fase de testes e que ouviria feedbacks antes de qualquer lançamento.

Fonte: Futurism