O mercado digital está em polvorosa com a GEO (Generative Engine Optimization). Agências vendem o serviço. Marcas correm para adotá-lo. A promessa é sedutora: a internet baseada em busca, que impulsionou a economia digital por décadas, está dando lugar a respostas geradas por IA. A pressão para agir é real. O problema? Você pode estar prestes a pagar por mais um aluguel em um espaço que não é seu.

GEO: uma tática dentro de uma estratégia maior

A GEO não é uma estratégia nova, mas sim uma tática dentro de um objetivo mais amplo: possuir sua própria audiência. O desafio é que o hype em torno da GEO está gerando tanto dinheiro e atenção que as marcas não conseguem ignorá-la. Um relatório recente da McKinsey projeta que, até 2028, US$ 750 bilhões em receitas nos EUA serão gerados por buscas impulsionadas por IA nos EUA. Para participar desse bolo, as empresas precisam investir em GEO ou AEO (Answer Engine Optimization).

Ambas as estratégias visam converter prompts de usuários em referências claras a uma marca específica. E, de fato, são importantes. Metade dos consumidores já utiliza mecanismos de busca baseados em IA. A mudança é real. Otimizar para isso não está errado — mas também não é suficiente.

O erro de sempre: alugar em vez de construir

O conselho de líderes do setor e diretores de agências segue o mesmo padrão que a indústria repete há quinze anos: alugar espaço de um proprietário que pode mudar as regras a qualquer momento. A GEO não é uma nova estratégia — é um novo contrato de aluguel no mesmo prédio. E todos sabemos como isso pode terminar mal.

« A GEO não passa de uma tática de curto prazo dentro de uma estratégia maior que ninguém está discutindo: construir sua própria audiência. »

O caso da HubSpot é o exemplo que ninguém no setor quer repetir. Eles construíram uma das operações de conteúdo mais sofisticadas do mercado, dominaram o SEO por anos e, de repente, seu tráfego de busca despencou quando o Google mudou seus algoritmos. Eles estavam alugando. Quando o proprietário reformou o prédio, eles perderam o apartamento.

Dados revelam a fragilidade da GEO

Os próprios números da McKinsey mostram que o conteúdo próprio de uma marca representa apenas 5% a 10% do que as buscas por IA realmente referenciam. O restante vem de afiliados, conteúdo gerado por usuários, publishers e fontes que a marca não controla. Ou seja: otimizar para GEO é otimizar uma pequena parte do resultado, enquanto a ação real acontece em outro lugar.

A resistência da web à IA está crescendo

Há outro problema que os defensores da GEO não mencionam: a web está se rebelando. Desenvolvedores independentes criaram ferramentas como Nepenthes e Iocaine — nomes inspirados em uma planta carnívora e um veneno fictício — projetadas para atrair rastreadores de IA em loops infinitos de dados inúteis, desperdiçando seus recursos e corrompendo seus conjuntos de treinamento. Um desenvolvedor relatou eliminar 94% do tráfego de bots em seu site no dia em que implantou uma dessas ferramentas.

Empresas como a Cloudflare agora vendem soluções de mitigação de bots e anti-scraping para bloquear rastreadores de IA em escala. A resistência se tornou comercial. A relação sinal-ruído nos dados de treinamento de LLMs (Large Language Models) está piorando à medida que publishers se tornam mais hostis à raspagem não autorizada de seus conteúdos.

O que realmente funciona?

Em vez de depender de táticas que podem evaporar com a próxima atualização de algoritmo ou a próxima mudança nas políticas de um provedor de IA, especialistas recomendam:

  • Construir uma audiência própria: Invista em newsletters, comunidades e plataformas onde você tenha controle total sobre o relacionamento com seus clientes.
  • Diversificar canais: Não coloque todos os ovos na mesma cesta. Use mídias sociais, email marketing e até mídia tradicional para reduzir dependências.
  • Focar em conteúdo de valor: Crie materiais que resolvam problemas reais de seus clientes, em vez de apenas otimizar para algoritmos.
  • Monitorar mudanças: Acompanhe de perto as atualizações nos mecanismos de busca e nas políticas de IA para ajustar sua estratégia rapidamente.

A lição é clara: a GEO pode ser útil, mas não é uma estratégia sustentável a longo prazo. Em um ecossistema digital cada vez mais volátil, possuir sua audiência é a única forma de garantir controle e segurança.