Governo dos EUA acelera construção de centros de detenção para migrantes
A administração norte-americana anunciou investimento de US$ 45 bilhões para expandir a capacidade de detenção de migrantes, conforme previsto na Lei One Big Beautiful Bill Act de 2025. O objetivo é contratar 10 mil novos agentes de imigração e construir 34 instalações dedicadas, com capacidade total para 92,6 mil detentos.
Segundo documentos do Departamento de Segurança Interna (DHS), oito desses centros serão de grande porte, enquanto 16 funcionarão como pontos de processamento temporário, com capacidade para até 1,5 mil pessoas por até alguns dias. O governo afirma que as obras estarão concluídas até 30 de novembro.
De onde vem o dinheiro?
O financiamento foi aprovado pelo Congresso, que destinou US$ 45 bilhões especificamente para ampliação da capacidade de detenção de adultos solteiros e famílias. A justificativa é manter uma população média diária de 100 mil migrantes irregulares em centros de detenção.
Críticas à transformação de galpões em prisões
Apesar de o DHS classificar as novas instalações como "centros de detenção bem estruturados", críticos apontam que muitos são antigos galpões industriais adaptados para abrigar pessoas. Tricia McLaughlin, ex-porta-voz do DHS, afirmou ao The Washington Post que "não são armazéns, mas sim instalações de detenção".
No entanto, imagens e relatos de centros existentes, como o Camp East Montana, mostram condições precárias: superlotação, falta de higiene e relatos de maus-tratos. Em 2023, uma investigação do The New York Times revelou que detentos passaram 50 dias em um galpão sem janelas, com temperaturas extremas e acesso limitado a cuidados médicos.
"É desumano tratar seres humanos como carga em galpões. Além disso, o custo para as comunidades é alto, tanto em recursos quanto em impactos sociais."
Resistência em pequenas cidades
Muitas localidades, especialmente em regiões rurais, têm se mobilizado contra a instalação de novos centros. Moradores e ativistas argumentam que:
- Impacto na segurança pública: aumento da criminalidade e tensões sociais;
- Custo para os cofres municipais: sobrecarga em serviços como saúde e educação;
- Estigma para a região: prejuízos ao turismo e ao valor imobiliário;
- Questões éticas: violações de direitos humanos em instalações improvisadas.
Em Tucson, Arizona, por exemplo, moradores protestaram contra a conversão de um antigo armazém em centro de detenção, alegando que a decisão foi tomada sem consulta pública.
Padrões de detenção sob escrutínio
O ICE (Imigração e Alfândega dos EUA) afirma que as novas instalações seguirão os "padrões regulares de detenção". No entanto, relatórios de organizações de direitos humanos, como a ACLU, mostram que muitos centros operam abaixo dos requisitos mínimos:
- Falta de acesso a advogados;
- Restrição a visitas familiares;
- Condições insalubres, como infestações de pragas;
- Uso excessivo de isolamento e contenção.
Em 2024, um relatório da Human Rights Watch documentou casos de detentos que passaram meses sem banho ou contato com o mundo exterior.
O que vem pela frente?
Com a conclusão das obras prevista para novembro, o governo deve iniciar a transferência de migrantes para as novas instalações. Enquanto isso, ativistas e moradores continuam pressionando por transparência e revisão dos projetos, temendo que a expansão agrave ainda mais a crise humanitária.