Sean Plankey, indicado há mais de um ano para liderar a Cybersecurity and Infrastructure Security Agency (CISA), pediu ao presidente Donald Trump, nesta quarta-feira, a retirada de sua nomeação. Em carta enviada ao governo, ele afirmou que o Senado não deve confirmá-lo após 13 meses de espera.
“Neste momento, peço ao presidente que retire minha nomeação da apreciação do Senado”, declarou Plankey em comunicado obtido pela CyberScoop. “Após treze meses desde minha primeira indicação, tornou-se claro que não serei confirmado.”
Sua decisão ocorre semanas depois de o Senado confirmar MarkWayne Mullin como secretário do Departamento de Segurança Interna (DHS), órgão ao qual a CISA está subordinada.
“O país e o secretário do DHS, MarkWayne Mullin, necessitam de um diretor confirmado da CISA sem mais atrasos”, escreveu Plankey, agradecendo a Trump. “Embora peça humildemente a retirada de minha nomeação, apoio integralmente a próxima indicação do presidente para o cargo e torço pelo sucesso contínuo dos Estados Unidos.”
Nomeação travada por divergências políticas
A nomeação de Plankey já era considerada inviável desde o final de 2023. Sua renomeação em 2024 surpreendeu muitos, com relatos da CBS sugerindo que o envio dos documentos teria sido um erro. A Casa Branca negou a alegação.
Vários senadores, incluindo republicanos, haviam bloqueado sua confirmação por motivos não relacionados à segurança cibernética. O senador Rick Scott (R-Fla.) foi um dos principais opositores, alegando conflitos em um contrato da Guarda Costeira com uma empresa da Flórida, parcialmente cancelado pelo DHS.
Plankey atuava como assessor de Kristi Noem, então secretária do DHS, em questões da Guarda Costeira. Ele se aposentou do órgão no mês passado.
Mudanças na liderança da CISA
Enquanto aguardava confirmação, Plankey atuou como conselheiro. Desde então, a agência teve três diretores interinos: Bridget Bean, Madhu Gottumukkala e, atualmente, Nick Andersen. Gottumukkala deixou o cargo recentemente após críticas generalizadas sobre sua gestão.
Em entrevista à CyberScoop, Plankey afirmou ter discutido a retirada de sua nomeação com Mullin. “Tenho um relacionamento positivo com ele e apoio sua liderança no DHS”, declarou. Também elogiou Andersen, chamando-o de “um dos profissionais de cibersegurança mais competentes do país”.
Impacto nos cortes orçamentários e futuro da CISA
A saída de Plankey deixa a CISA em mais um momento de incerteza. O governo Trump já reduziu pessoal e orçamento da agência, com diversos altos funcionários sendo dispensados ou saindo. Para o ano fiscal de 2027, a administração propôs cortes ainda mais profundos.
O Politico foi o primeiro a noticiar o pedido de retirada de Plankey. A Casa Branca, o DHS e a CISA não responderam a pedidos de comentário.