A aliança entre Trump e Justin Sun desmorona em meio a disputas judiciais

O que começou como uma parceria promissora entre o bilionário chinês Justin Sun, conhecido por suas excentricidades — como pagar US$ 6,2 milhões por uma banana colada em uma parede na Art Basel — e a família Trump, transformou-se em uma batalha judicial milionária no universo das criptomoedas.

Após a eleição de 2024, Sun investiu fortemente na World Liberty Financial, uma empresa de tokens digitais criada pela família Trump e aliados. Na época, Sun celebrou publicamente seu apoio a Donald Trump e ao setor cripto, que parecia ter encontrado um novo aliado na Casa Branca. Com a mudança de governo, os problemas regulatórios de Sun diminuíram: a SEC (Comissão de Valores Mobiliários dos EUA) suspendeu temporariamente uma ação judicial contra ele, que recentemente foi resolvida com um acordo de US$ 10 milhões.

No entanto, a trégua não durou. Em maio de 2026, a situação explodiu em uma guerra de acusações mútuas.

Sun processa World Liberty Financial por suposto bloqueio de tokens

Em 4 de maio de 2026, Justin Sun anunciou na plataforma X (antigo Twitter) que havia entrado com uma ação judicial contra a World Liberty Financial. Segundo ele, a empresa estaria envolvida em um esquema ilegal para apreender seus ativos, impedindo-o de vender seus tokens.

Sun alega que detém 4 bilhões de tokens da World Liberty, incluindo 1 bilhão recebidos como pagamento por seu assento no conselho consultivo da empresa. Esses tokens, no entanto, estavam sujeitos a restrições de venda desde o início da operação da empresa. Em setembro de 2025, Sun afirmou que já deveria ter direito a vender parte de seus ativos, mas a World Liberty teria congelado suas contas e bloqueado as transações sem explicação.

Além disso, Sun acusa a empresa de não permitir que ele ou outros detentores de tokens tivessem qualquer influência real nas decisões corporativas, concentrando o poder nas mãos de um grupo restrito.

World Liberty Financial contra-ataca com ação por difamação

Em resposta, a World Liberty Financial entrou com uma ação por difamação contra Justin Sun, acusando-o de liderar uma campanha de desinformação na mídia para prejudicar a reputação da empresa.

Em comunicado publicado nas redes sociais, a empresa afirmou que Sun teria se recusado a cessar as alegações falsas mesmo após ser confrontado com os fatos. A World Liberty Financial declarou:

‘Hoje, apresentamos uma ação judicial contra Justin Sun por difamação. Sun lançou uma campanha coordenada de difamação contra a World Liberty Financial e se recusou a parar mesmo diante da verdade.’

Sun não demorou a responder. Em sua conta no X, ele classificou a ação como uma ‘manobra de relações públicas sem mérito’ e afirmou que estava pronto para defender sua posição nos tribunais.

A suposta ação por difamação anunciada hoje pela World Liberty Financial é nada mais do que uma manobra de relações públicas sem mérito. Mantenho minhas ações e aguardo ansiosamente para derrotar esse caso na justiça. — H.E. Justin Sun (@justinsuntron), 4 de maio de 2026

O que está em jogo: tokens, poder e transparência no mercado cripto

As alegações de ambas as partes revelam as tensões inerentes ao mercado de criptomoedas: disputas por controle, transparência questionável e acusações de manipulação. A situação também expõe os riscos de parcerias entre figuras públicas e empresas do setor, que frequentemente enfrentam escrutínio regulatório e judicial.

Enquanto a World Liberty Financial alega que Sun estaria tentando minar sua credibilidade com alegações infundadas, o bilionário chinês sustenta que a empresa estaria violando seus direitos como investidor e acionista.

O desfecho dessa batalha judicial poderá ter implicações não apenas para as partes envolvidas, mas também para o futuro das regulações e da governança no ecossistema cripto.