Investigação criminal contra a OpenAI por suposto uso do ChatGPT em assassinatos
A Procuradoria-Geral da Flórida anunciou, nesta segunda-feira (20), uma investigação criminal contra a OpenAI, dona do ChatGPT, após indícios de que o suspeito do duplo homicídio de dois estudantes da Universidade do Sul da Flórida (USF) teria utilizado a ferramenta de IA para planejar os crimes.
Conexão entre o ChatGPT e os assassinatos
Segundo registros judiciais, Hisham Abugharbieh, 26 anos, teria feito perguntas ao ChatGPT sobre métodos de descarte de corpos e aquisição de armas antes dos assassinatos de Zamil Limon e Nahida Bristy, ambos de 27 anos e estudantes de doutorado bangladeshes. Os corpos foram encontrados em sacos de lixo na ponte Howard Frankland e em uma área próxima à Interestadual 275.
Nos dias que antecederam os crimes, Abugharbieh teria feito buscas no chatbot sobre:
- O que acontece se uma pessoa for "colocada em um saco preto e jogada em um container de lixo";
- Informações sobre armas e identificação de veículos;
- Como a Apple rastreia novos usuários de iPhone;
- O significado de "adulto desaparecido em perigo".
Resposta da OpenAI e investigação em andamento
A OpenAI, contatada pela imprensa, não se pronunciou sobre o caso. No entanto, em comunicado anterior, a empresa afirmou que cooperaria com as autoridades.
O procurador-geral James Uthmeier declarou que a investigação foi ampliada para incluir os assassinatos da USF após a constatação de que o suspeito também teria usado o ChatGPT. "Se o ChatGPT fosse uma pessoa, já estaria sendo processado por assassinato", afirmou Uthmeier em comunicado.
Contexto e próximos passos
A investigação ocorre em meio a um debate nacional sobre a regulação de ferramentas de IA nos Estados Unidos. A Flórida também discutirá o tema em uma sessão legislativa especial que começa nesta terça-feira (21).
Abugharbieh, ex-estudante da USF, está preso sem direito a fiança desde segunda-feira, acusado de dois homicídios dolosos. Ele deve comparecer a uma audiência de status às 9h desta terça-feira.
"Estamos expandindo nossa investigação criminal contra a OpenAI para incluir os assassinatos da USF após descobrirmos que o principal suspeito usou o ChatGPT."
— James Uthmeier, procurador-geral da Flórida