Na noite de sábado, um homem armado foi detido pela Secretaria de Segurança dos EUA antes de atingir o alvo: um jantar promovido pela Associação de Correspondentes da Casa Branca no hotel Washington Hilton. Embora o ataque não tenha sido direcionado ao governo federal, o presidente Donald Trump e seus aliados passaram a defender a conclusão de um imenso salão de baile na área onde antes ficava a Ala Leste da Casa Branca — demolida em 2020.
O argumento, no entanto, não convenceu a todos. O procurador-geral interino, Todd Blanche, apresentou na segunda-feira um pedido ao juiz Richard Leon, da Corte Distrital de Washington, para que reconsidere uma liminar de 31 de março que impede a obra sem aprovação do Congresso. A medida, contudo, pode não ter impacto prático: a Corte de Apelações do Circuito de D.C. já analisa o recurso de Trump contra a decisão e manteve a suspensão da liminar.
O documento apresentado por Blanche, classificado como exagerado por especialistas, parece ter sido escrito diretamente das postagens do ex-presidente no Truth Social. Nele, o procurador ataca a National Trust for Historic Preservation, organização que solicitou a liminar, chamando-a de "falsa" e acusando-a de prejudicar projetos de "segurança nacional".
O texto afirma que a entidade, que não recebe financiamento federal desde 2005, "para muitos projetos dignos" e tenta barrar obras "vitais para a segurança de todos os presidentes". Blanche também menciona o atentado frustrado no Hilton, classificando-o como "quase um sucesso" e o terceiro contra Trump desde 2024, para justificar a necessidade do salão de baile.
Segundo o procurador, o espaço protegeria a Sala Leste da Casa Branca, oferecendo "segurança de ponta" para o presidente, sua família, equipe e visitantes. "Esta liminar é intolerável, insustentável e indefensável", escreveu Blanche, comparando o tom do documento ao estilo do advogado fictício Jackie Chiles, da série Seinfeld.
Apesar da retórica inflamada, a estratégia legal enfrenta resistência. O juiz Leon já rejeitou pedido semelhante em 16 de abril, e a Corte de Apelações deve decidir em breve sobre o mérito da obra. Enquanto isso, a polêmica sobre o projeto — criticado por ambientalistas e preservacionistas — continua a dividir opiniões nos EUA.