O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) apresentou um pedido judicial incomum na segunda-feira, adotando um tom e estilo de escrita mais próximos a uma publicação polêmica nas redes sociais do que a um documento legal formal. O objetivo era defender a construção de um salão de baile de 90 mil pés quadrados na Casa Branca, uma proposta que enfrenta forte oposição.
A Justiça argumentou que a construção do salão é uma prioridade de segurança nacional, após um incidente ocorrido durante o Jantar de Correspondentes da Casa Branca no sábado. Segundo o DOJ, o ataque — no qual um atirador chegou a segundos de alvejar o presidente, sua família, membros do gabinete e a imprensa — revelou a falta de um espaço seguro para eventos de grande porte na capital.
"O fato de um assassino ter chegado a segundos de atirar no presidente, junto a sua família, grande parte do gabinete, sua equipe sênior e a imprensa de Washington, deixa claro que Washington não possui um espaço seguro para eventos de grande porte ou que possa acomodar um evento com a linha de sucessão do governo dos EUA", afirmou o DOJ no documento.
O pedido, assinado pelo procurador-geral interino Todd Blanche, destacou ainda que todos os futuros presidentes precisam urgentemente de um local seguro para grandes eventos. No entanto, o DOJ não explicou como o novo salão ofereceria mais segurança do que o Hotel Washington Hilton, tradicional local do Jantar de Correspondentes, que possui entradas exclusivas para o presidente e salas reservadas com o selo presidencial.
O hotel também oferece espaço para mais de 2,6 mil convidados, número superior ao proposto para o salão da Casa Branca. Além disso, o DOJ afirmou que a construção do salão tem apoio bipartidário no Congresso, embora a única menção concreta seja ao senador democrata da Pensilvânia, John Fetterman, conhecido por alinhamentos com pautas do movimento MAGA.
O documento ainda repetiu a promessa de que a obra seria custeada por doadores privados, isentando os contribuintes. No entanto, o ex-presidente Donald Trump já solicitou ao Congresso um repasse de US$ 400 milhões para a construção, com o apoio de senadores republicanos como Lindsey Graham. Graham sugeriu que o valor poderia ser compensado por meio de taxas de uso de parques nacionais e tarifas alfandegárias.
A Justiça também atacou o National Trust for Historic Preservation, organização que moveu ação judicial para barrar a construção. O DOJ chamou a entidade de "FALSA", acusou seus advogados de serem "o advogado de Barack Hussein Obama" e afirmou que seus funcionários sofrem de "Síndrome de Derangement de Trump" — termo usado para descrever críticas excessivas ao ex-presidente.