O filme "Michael", que retrata a vida do lendário cantor Michael Jackson, não apenas cumpriu sua missão de homenagear o artista, mas também superou as expectativas de bilheteria. Com direção de Antoine Fuqua e distribuição da Lionsgate-Universal, a produção arrecadou US$ 97 milhões no mercado doméstico e US$ 217 milhões globalmente em seu fim de semana de estreia.

Esse desempenho coloca "Michael" no topo dos recordes de abertura para biopics na história do cinema, antes de ajustes inflacionários. Além disso, o filme estabeleceu novos recordes em 64 dos 83 mercados globais onde foi lançado. O recorde anterior de abertura mundial para um biopic pertencia a "Oppenheimer", de Christopher Nolan, com US$ 174 milhões em julho de 2023. Já o recorde doméstico era de "Atirador Sniper", de Clint Eastwood, com US$ 90,1 milhões em três dias de exibição em janeiro de 2015.

O sucesso de "Michael" lembra outro grande marco do gênero: "Bohemian Rhapsody", também produzido por Graham King. Embora tenha sido criticado por minimizar a sexualidade de Freddie Mercury e sua batalha contra a AIDS em prol de uma narrativa focada em sucessos musicais, o filme arrecadou mais de US$ 910 milhões mundialmente e conquistou quatro Oscars.

Apesar das críticas majoritariamente negativas da imprensa especializada, que elogiou a performance de Jaafar Jackson como Michael Jackson, mas não poupou o restante da produção, o público demonstrou entusiasmo. O filme recebeu nota A- no CinemaScore, 97% de aprovação no Rotten Tomatoes (público) e 90% no PostTrak.

Produção tumultuada e restrições legais

A produção de "Michael" enfrentou desafios significativos. A família Jackson descobriu uma cláusula em um acordo de 1993, referente a uma acusação de abuso sexual contra o cantor, que proibia qualquer menção ao caso no filme. Isso forçou a remoção de cenas que abordavam o tema, impactando diretamente o terceiro ato da versão original. No entanto, esses detalhes não afetaram a recepção do público.

O que o público quer em um music biopic?

A fórmula parece clara: incluir os sucessos musicais. A aprovação do espólio de Michael Jackson permitiu o uso de suas canções no filme, o que impulsionou vídeos virais no TikTok e YouTube, com fãs cantando e dançando diante das cenas. Mesmo com as controvérsias que cercam o legado de Jackson, o apelo do gênero biográfico musical se manteve forte, especialmente entre os fãs que, em 2026, ainda consideram o artista um dos maiores da história.

O mercado cinematográfico em 2026

Apesar da concorrência de "O Diabo Veste Prada 2" no próximo fim de semana, o sucesso recente de "Super Mario Bros. O Filme" e "Projeto Hail Mary" indica que o público está cada vez mais disposto a frequentar as salas de cinema, mesmo com múltiplos lançamentos de grande porte. Essa tendência sugere que o mercado pode estar se adaptando a uma demanda crescente por entretenimento no cinema.

O que "Michael" deixa evidente é a divergência entre o que críticos e fãs esperam de um music biopic. Enquanto a crítica busca profundidade narrativa e abordagem equilibrada, o público parece priorizar a nostalgia e a celebração da música. Essa dicotomia continua a moldar o gênero, definindo o que torna um filme biográfico sobre músicos um sucesso de bilheteria.

Fonte: The Wrap