A estreia da peça ‘Vou Te Deixar Ir’, escrita por Bubba Weiler, aconteceu nesta quinta-feira no Studio Seaview, após sua estreia mundial no ano passado no Space at Irondale, em Brooklyn. A obra, que já havia sido apresentada recentemente em outra produção do estúdio, reforça o compromisso da casa em dar visibilidade a novos talentos.

A trama gira em torno de uma viúva (interpretada por Quincy Tyler Bernstine) que, após a morte violenta do marido, se vê envolvida em uma série de conversas com familiares, amigos e até desconhecidos. Embora não deseje interagir, ela permite que os outros falem, pois eles precisam mais dessas trocas do que ela própria. Bernstine entrega uma performance cuidadosa, medida e profundamente satisfatória, revelando mais pelo que omite do que pelo que expressa.

A peça é estruturada em cenas de dois atores, com a participação de um narrador (Matthew Maher). Este, além de fornecer detalhes aparentemente supérfluos sobre a casa da viúva, demonstra uma habilidade quase novelística de antecipar os pensamentos de todos os personagens. Um dos pontos altos da narrativa é o adiamento da revelação sobre a identidade do narrador, que só é esclarecida ao final.

O diretor Jack Serio acerta ao trabalhar com Bernstine e Maher, cujas atuações são discretas e impactantes. No entanto, a direção perde força em alguns momentos com os demais atores. Um exemplo é a cena final, em que todos se reúnem no palco, mais como um recurso cênico para movimentar objetos do que como uma representação de comunidade.

A trama começa com a viúva tomando café da manhã com o filho adulto, interpretado por Will Dagger. A cena, embora bem-intencionada, acaba sendo confusa e excessivamente obscura, como se o personagem falasse uma língua própria. Outra sequência problemática envolve Constance Shulman como uma funerária indesejada, que segue a cena anterior com um tom excessivamente teatral.

Apesar das falhas, ‘Vou Te Deixar Ir’ se destaca pela abordagem sensível e inovadora sobre o luto. A performance de Bernstine e a narrativa de Weiler, embora imperfeitas, oferecem momentos de rara beleza e reflexão sobre a solidão e a perda.

Fonte: The Wrap