O bilionário Paul Tudor Jones, um dos gestores de fundos hedge mais influentes do mundo, voltou a elogiar o Bitcoin como o melhor hedge contra a inflação. Em participação no podcast Invest Like The Best, nesta quarta-feira (14), Jones afirmou que a criptomoeda supera o ouro nesse aspecto.
“O Bitcoin é, sem dúvidas, o melhor hedge contra inflação existente. Há apenas uma quantidade limitada de Bitcoin que pode ser minerada”, declarou o executivo, que já lucrou com a valorização de quase 900% da moeda digital em 2020.
Sua declaração reflete não apenas sua visão pessoal, mas também um movimento crescente entre investidores institucionais que passaram a enxergar o Bitcoin como um ativo estratégico.
Instituições financeiras apoiam o Bitcoin como reserva de valor
Jones não é o único líder do mercado a defender o Bitcoin. Larry Fink, CEO da BlackRock — a maior gestora de ativos do mundo — já classificou a criptomoeda como “ouro digital” e recomendou que instituições aloquem cerca de 5% de suas reservas nela.
Outras grandes instituições, como JPMorgan, Morgan Stanley e Fidelity, também reconhecem o valor do Bitcoin como proteção contra a inflação, embora alguns analistas alertem que sua eficácia pode variar conforme o cenário econômico.
Bitcoin vs. ouro: qual é o melhor hedge?
Com 71 anos, Jones iniciou sua carreira nos anos 1970, negociando commodities. Aos 26 anos, fundou a Tudor Investment Corporation, que obteve retornos superiores a 100% ao ano em seus primeiros cinco anos de operação.
Para Jones, o principal concorrente do Bitcoin é o ouro, tradicionalmente visto como um hedge contra a desvalorização de moedas. No entanto, ele argumenta que o Bitcoin é superior por dois motivos: sua oferta é limitada a 21 milhões de unidades, enquanto a produção de ouro cresce cerca de 2% ao ano.
“Em termos de hedge inflacionário, o ouro tem sua oferta aumentada em alguns pontos percentuais a cada ano. Já o Bitcoin tem uma quantidade finita que pode ser minerada. Além disso, é descentralizado, o que lhe confere o maior valor de escassez possível”, explicou.
Riscos do Bitcoin como reserva de valor
Apesar de seu otimismo, Jones não ignora os riscos associados ao Bitcoin. Um dos principais pontos de atenção é a segurança cibernética.
“O problema do Bitcoin como hedge inflacionário é que, em um cenário de guerra cibernética, qualquer ativo digital pode ser comprometido”, afirmou. “Qualquer coisa que dependa de sistemas eletrônicos, inclusive o Bitcoin, pode ser alvo de ataques.”
Outro fator de risco é o avanço da computação quântica, que poderia, teoricamente, quebrar os sistemas de criptografia que sustentam não apenas o Bitcoin, mas grande parte da infraestrutura digital global.
“Não sabemos quando, mas com o avanço da IA, é possível que tenhamos computadores quânticos capazes de hackear qualquer banco ou sistema”, alertou Jones.
Um relatório da McKinsey, divulgado em junho, prevê que, mantido o ritmo atual de desenvolvimento, um computador quântico capaz de ameaçar a segurança do Bitcoin poderia estar disponível já no próximo ano.