Transição energética no PJM: entre incentivos e incertezas

Nesta semana, conversamos com Evan Vaughn, diretor-executivo da Mid-Atlantic Renewable Energy Coalition (MAREC), organização que representa 13 estados da região do PJM Interconnection — incluindo a Virgínia, um dos maiores consumidores de energia do país. A pauta central foi os rumos da transição energética, especialmente diante do declínio dos incentivos do Inflation Reduction Act (IRA) e dos desafios de licenciamento local.

Impacto da redução de incentivos federais

Vaughn destaca que, até agora, o ritmo de expansão das energias renováveis na região manteve-se estável, mesmo com a aproximação do fim dos principais créditos fiscais previstos para julho. No entanto, o cenário a partir de 2025 é incerto. Um marco importante será o primeiro estudo de cluster pós-transição do PJM, com alocações previstas para abril. Os resultados desse estudo podem revelar como será a composição energética da região nos próximos anos.

Conflitos locais: o maior entrave para novos projetos

Os desafios de licenciamento local são um dos principais obstáculos para a entrada de novas fontes de geração na rede. Embora o foco costume recair sobre os projetos eólicos e solares — que representaram a maioria dos megawatts na fila de interconexão do PJM nos últimos cinco anos —, o problema afeta todas as fontes de energia. Vaughn cita como exemplo a usina a gás de Chesterfield, na Virgínia, que enfrentou forte oposição local.

Segundo o executivo, o PJM Interconnection tem processado um grande volume de pedidos na fila de interconexão, mas muitos projetos esbarram em três problemas principais ao sair da fila:

  • Recusa de permissões locais;
  • Problemas na cadeia de suprimentos;
  • Altos custos de interconexão.

Entre esses, os conflitos de licenciamento local são os mais evidentes atualmente. Vaughn alerta que esse tema ainda é subestimado por políticos e pela população em geral, que muitas vezes não compreendem quem detém a autoridade sobre o futuro da geração de energia.

Quem decide o futuro energético da região?

O PJM e os estados têm papéis importantes, mas a decisão final depende de milhares de autoridades locais em seus 13 estados-membros. São esses agentes que precisam aprovar projetos para garantir que a oferta de energia acompanhe a demanda e evite apagões. Vaughn ressalta que, sem um número suficiente de "sim", a transição energética pode ficar comprometida.

Transmissão e expansão da rede: um desafio adicional

Na semana passada, publicamos uma reportagem sobre a necessidade de expansão da transmissão na região do PJM. A modernização da infraestrutura é essencial para integrar novas fontes de energia e garantir a confiabilidade do sistema. No entanto, esse processo também enfrenta obstáculos regulatórios e financeiros, que precisam ser superados para viabilizar a transição energética.

"O futuro da energia no PJM depende não apenas de políticas federais ou decisões estaduais, mas de milhares de 'sims' locais que podem acelerar ou frear a expansão necessária."

— Evan Vaughn, diretor-executivo da MAREC

Conclusão: um momento decisivo para o PJM

A região do PJM Interconnection está em um ponto crítico. Com a redução de incentivos, conflitos locais e desafios de interconexão, a transição energética enfrenta um teste real. A capacidade de superar esses obstáculos determinará se a região conseguirá manter sua liderança em energia limpa ou se ficará para trás em meio à crescente demanda por eletricidade.