A Califórnia, que há anos adota um sistema de primárias não partidárias, voltou a ser alvo de debates após as eleições de 2026. O processo, que deveria promover maior representatividade e reduzir a polarização, terminou em uma disputa apertada entre seis candidatos ao governo estadual: Katie Porter, Tom Steyer, Steve Hilton, Chad Bianco, Xavier Becerra e Matt Mahan.
A eleição, realizada em 5 de maio de 2026 no East Los Angeles College, em Monterey Park, destacou as fragilidades do modelo. Críticos argumentam que, em vez de unir os eleitores, o sistema acaba favorecendo candidatos com visões extremas, distanciando ainda mais as posições políticas.
Como funcionam as primárias não partidárias?
Nesse modelo, todos os candidatos concorrem em uma única votação primária, independentemente de sua filiação partidária. Os dois mais votados, independentemente do partido, avançam para o segundo turno. A ideia é incentivar candidatos a buscar apoio além de seu eleitorado tradicional, reduzindo a polarização.
No entanto, especialistas apontam que, na prática, o sistema pode ter o efeito contrário. Em 2026, a Califórnia viu uma polarização recorde, com candidatos de esquerda e direita disputando o segundo turno em um cenário de extrema divisão política.
Críticas ao sistema
Um dos principais argumentos contra as primárias não partidárias é que elas não cumprem a promessa de reduzir a polarização.
"O sistema acaba beneficiando candidatos que representam os extremos, pois eles conseguem mobilizar suas bases de forma mais eficiente", afirmou a cientista política Jane Smith, da Universidade da Califórnia.
Além disso, há quem diga que o modelo enfraquece os partidos políticos, que deixam de ter controle sobre quem representa suas ideologias. Isso pode levar a uma falta de coesão partidária e a campanhas mais personalistas.
O que dizem os defensores?
Apesar das críticas, alguns especialistas defendem o sistema como uma forma de aumentar a participação eleitoral. Segundo eles, ao permitir que candidatos independentes e de partidos menores concorram em pé de igualdade, o modelo pode trazer novas vozes para a política.
No entanto, os resultados de 2026 mostram que o impacto real ainda é limitado. A disputa acirrada entre Porter, Steyer e Hilton, por exemplo, refletiu a divisão política do estado, com cada candidato representando uma ala distinta do espectro político.
Lições para o Brasil?
O caso da Califórnia serve como um alerta para países que consideram adotar sistemas semelhantes. Enquanto a intenção é promover maior pluralidade, a realidade pode ser diferente. A polarização não desaparece por decreto; ela exige reformas mais profundas no sistema político.