Protestos contra megacentros de dados nos EUA crescem; entenda os motivos
Em uma reunião pública da Comissão do Condado de Box Elder, em Tremonton (Utah), um homem gritou contra o que chamou de "nuvem falsa". O vídeo, publicado pelo grupo progressista More Perfect Union na plataforma X, registrou o momento em que o cidadão contestava a aprovação de um megaprojeto de data center, apoiado pelo bilionário Kevin O'Leary. A proposta, batizada de Project Stratos, ocuparia 40 mil acres — área 2,5 vezes maior que a ilha de Manhattan — e forneceria serviços de dados para o exército norte-americano.
A decisão da comissão, composta por três membros, foi recebida com vaias e gritos de "vergonha, vergonha, vergonha". Apesar da forte oposição local, o projeto foi aprovado. "Todos têm direitos sobre suas propriedades e podem fazer o que quiserem com elas", declarou o comissário Tyler Vincent, segundo o The Salt Lake Tribune.
Recorde de cancelamentos de data centers em 2026
O caso em Utah reflete uma tendência nacional: a crescente resistência a data centers. Segundo análise da Heatmap News, 20 projetos foram cancelados nos primeiros três meses de 2026 em resposta à pressão de autoridades locais. Esse número é o dobro do recorde anterior, registrado no último trimestre de 2025.
A explosão de projetos de data centers nos EUA — atualmente, 2.788 estão em desenvolvimento, segundo a American Edge Project — explica parte desse fenômeno. O aumento na quantidade de empreendimentos leva a mais cancelamentos, mas também expõe um problema mais profundo: o movimento "NIMBY" ("Não no meu quintal", em tradução livre) e a aversão generalizada à tecnologia.
Impacto ambiental e social dos data centers
Especialistas destacam que os data centers são empreendimentos de baixo impacto quando comparados a outras indústrias. Entre os argumentos:
- Baixa emissão de poluentes: diferentemente de fábricas ou usinas, os data centers não produzem emissões significativas de gases ou ruídos.
- Impacto mínimo em serviços públicos: por empregarem equipes reduzidas, não sobrecarregam trânsito ou infraestrutura local.
- Consumo de água semelhante ao de um escritório: não há uso excessivo de recursos hídricos.
- Energia elétrica: embora o consumo seja alto, não há evidências de que isso aumente os custos para os consumidores, segundo relatório do Congressional Research Services (CRS).
Apesar desses pontos, a resistência persiste. O receio de que os data centers possam elevar os preços de energia ou prejudicar o meio ambiente — mesmo sem fundamento — tem levado muitas comunidades a rejeitar esses empreendimentos.
"Os data centers são um dos usos de terra menos impactantes que existem. No entanto, a oposição movida por preconceito e medo está dificultando projetos essenciais para a infraestrutura digital do país."
O que esperar para o futuro?
O embate entre desenvolvimento tecnológico e resistência local deve continuar. Enquanto o boom de data centers avança, as comunidades precisam encontrar um equilíbrio entre inovação e preservação de seus interesses. Especialistas alertam que, sem uma abordagem mais racional, projetos estratégicos para a segurança nacional e economia digital podem ser adiados ou cancelados.