Líderes republicanos de alto escalão entraram em contato com o secretário do Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, na terça-feira (11), após um novo super PAC de criptomoedas — financiado por sua antiga empresa, a Cantor Fitzgerald — anunciar, em um registro na Comissão Eleitoral Federal (FEC), a intenção de gastar US$ 1,75 milhão para apoiar o procurador-geral do Texas, Ken Paxton, em uma primária estadual.

A movimentação gerou alarme entre os líderes do GOP, uma vez que o grupo, chamado Fellowship PAC, se envolveu em uma disputa interna acirrada. O ex-presidente Donald Trump tem hesitado em declarar apoio a Paxton ou ao senador John Cornyn, que também disputa a vaga.

Embora os filhos de Lutnick atualmente comandem a Cantor Fitzgerald — da qual ele se desvinculou no ano passado —, os republicanos recorreram ao secretário do Comércio para reverter o que consideram um erro político, segundo três pessoas familiarizadas com o assunto. Não ficou claro, no entanto, se Lutnick tomou alguma providência após os telefonemas.

"Não foi uma boa jogada."
Chris LaCivita, ex-gerente de campanha de Trump e figura-chave no super PAC aliado a Cornyn, externou publicamente a frustração interna em uma postagem no X (antigo Twitter).

Reação do NRSC e adiamento de anúncios

A Comissão Nacional Republicana do Senado (NRSC) criticou duramente a iniciativa. Em comunicado, a porta-voz Joanna Rodriguez afirmou:

"Apoiar o candidato que ficou em segundo lugar na primária estadual e corre o risco de entregar o Senado aos democratas é puro desatino político."

Segundo apurou a reportagem, o Fellowship PAC nunca efetivou a compra de anúncios prevista no registro da FEC. Até a quarta-feira (12), líderes republicanos já haviam sido tranquilizados quanto à ausência de veiculação de propagandas pró-Paxton, conforme três pessoas envolvidas nas discussões. Essa informação é corroborada por rastreadores de mídia: nem o Fellowship PAC nem a Nxum — a agência de publicidade contratada — veicularam anúncios políticos neste ciclo, segundo dados da AdImpact.

Tanto Jesse Spiro, presidente do Fellowship PAC, quanto o chefe de relações governamentais da Tether, não responderam a pedidos de comentário.

Cenário das eleições de 2024 e influência do setor cripto

O setor de criptomoedas teve participação significativa nas eleições de 2024, injetando entre US$ 120 milhões e US$ 130 milhões em campanhas. O principal PAC do setor, o Fairshake — apoiado por empresas como Coinbase, Ripple e Andreessen Horowitz —, ajudou a derrotar o então senador Sherrod Brown em Ohio e iniciou 2026 com quase US$ 200 milhões em caixa.

O Fellowship PAC, vinculado à Tether, anunciou em janeiro a meta de arrecadar US$ 100 milhões para o ciclo de 2026. Até meados de abril, havia reportado US$ 11 milhões levantados, incluindo US$ 10 milhões da Cantor Fitzgerald e US$ 1 milhão da Anchor Labs Inc., uma empresa de infraestrutura cripto que trabalha com a Cantor.

Fonte: Axios