O Los Angeles Rams surpreenderam a todos ao eleger o quarterback Ty Simpson como a 13ª escolha geral no Draft da NFL 2024. A decisão gerou reações inesperadas, inclusive do próprio técnico Sean McVay, que, durante a coletiva pós-seleção ao lado do gerente-geral Les Snead, pareceu romper com seu habitual tom otimista.

McVay, conhecido por sua postura positiva e entusiasmada, manteve-se reservado. Suas respostas foram breves, e ele manteve as mãos nos bolsos enquanto Snead explicava os motivos da escolha. Quando questionado sobre o que destacava Simpson, foi o próprio Snead, e não McVay, quem detalhou:

No fim das contas, trata-se de um jogador que processa bem o jogo e consegue executar um ataque aéreo. Ele tem mobilidade, o que é fundamental. Há muitos outros fatores envolvidos, mas esse é o panorama geral.”

McVay não complementou a resposta de Snead, nem sobre aspectos macro nem micro da escolha. Mais tarde, ao comentar a chegada de Simpson, o técnico afirmou:

Já falamos sobre a importância do Jimmy [Garoppolo]. Agora, ter alguém que demonstrou capacidade para jogar a posição, com um histórico sólido e habilidades que se traduzem em conceitos, leitura com os pés, jogo de passe, ação de jogo e movimento. Ryan Grubb [coordenador ofensivo do Alabama] faz muitas coisas semelhantes ao nosso sistema, o que facilitou a avaliação: como isso se traduziria em nosso nível?”

Apesar dessas declarações, McVay continuou a demonstrar pouco entusiasmo. Alguns interpretaram sua postura como uma estratégia para reforçar que Simpson não foi escolhido para substituir Matthew Stafford, em uma dinâmica semelhante à vivida pelos Packers com Jordan Love e Aaron Rodgers. McVay foi categórico:

Vamos deixar uma coisa clara: esta é a equipe do Matthew.”

Se McVay não estava apenas cumprindo um papel estratégico para reforçar o status de Stafford, a situação se torna ainda mais intrigante. Afinal, ele é um dos melhores treinadores de quarterbacks da liga e, em dez anos nos Rams, acumulou credibilidade suficiente para ter poder de veto em uma escolha tão crítica. Por que, então, a equipe optou por Simpson sem seu total apoio?

Uma das hipóteses é o cansaço com a incerteza anual em torno de Stafford. No entanto, com o contrato de Stafford garantido até 2026, os Rams ainda precisam definir se ele jogará na próxima temporada. Caso se aposente, a franquia se tornaria um destino atraente para agentes livres.

Resta saber se a aposta em Simpson foi uma decisão interna para testar novas possibilidades ou se McVay, de fato, não está plenamente convencido do potencial do jovem QB.