O senador da Carolina do Sul, Lindsey Graham, membro do Partido Republicano, apresentou uma definição controversa de vitória na guerra entre os Estados Unidos e o Irã. Em entrevista à Fox News na segunda-feira (10), Graham afirmou que a vitória seria alcançada com o restabelecimento da liberdade de navegação no Estreito de Ormuz e a promoção de relativa estabilidade para os países vizinhos do Irã — condições que existiam antes da administração de Donald Trump iniciar os ataques.
Graham declarou:
‘Estamos próximos da vitória. Para mim, vitória significa restabelecer a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz, degradar ainda mais a capacidade militar iraniana com uma resposta curta, forte e decisiva, ameaçar destruir a Ilha Kharg e, por fim, retirar as tropas, buscando restabelecer a paz entre Israel e a Arábia Saudita.’
O senador também destacou a importância do Estreito de Ormuz, principal rota de exportação de petróleo do mundo, como o único ponto estratégico remanescente na campanha militar. Graham elogiou a estratégia da administração Trump, afirmando:
‘Esta tem sido uma campanha brilhante do presidente Trump e de nossas forças armadas.’
Segundo Graham, a vitória definitiva seria selada com um acordo de paz entre Israel e a Arábia Saudita, encerrando o conflito árabe-israelense. Ele ainda afirmou que Trump será lembrado como ‘o maior pacificador da história’.
Origem do conflito e envolvimento dos EUA
A participação dos Estados Unidos no conflito teria sido decidida em uma reunião no Salão Oval da Casa Branca em 11 de fevereiro, envolvendo Trump, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e outros oficiais dos dois países. Fontes indicam que a pressão de Netanyahu teria sido decisiva para a entrada dos EUA na guerra, apesar de comandantes militares americanos terem considerado partes do plano israelense para atacar o Irã como ‘irrealistas’.
O Departamento de Estado dos EUA, no entanto, negou oficialmente qualquer ligação entre a decisão de Trump e Israel, afirmando em comunicado recente que o país está envolvido no conflito a pedido de seu aliado israelense, em autodefesa coletiva. A Casa Branca, por sua vez, manteve a narrativa de que Israel não teve influência na decisão.
Impactos da guerra após nove semanas
O conflito já dura mais de nove semanas e consumiu pelo menos US$ 25 bilhões, segundo estimativas oficiais, embora alguns analistas projetem gastos superiores a US$ 70 bilhões. Os danos incluem a deterioração de alianças estratégicas, a interrupção do comércio global e uma crise energética provocada pelo bloqueio ao Estreito de Ormuz.
Apesar dos ataques conjuntos dos EUA e Israel, que resultaram na morte de milhares de civis iranianos e na destruição de infraestrutura civil, as capacidades nucleares do Irã permanecem intactas. Além disso, treze soldados americanos perderam a vida no conflito. A guerra também elevou o custo de vida globalmente e agravou tensões diplomáticas, especialmente entre os EUA e aliados históricos como a União Europeia.
Até o momento, não há clareza sobre os reais benefícios alcançados com a campanha militar, levantando dúvidas sobre a estratégia adotada pela administração Trump.