Streaming se consolida como pilar de crescimento para as grandes mídias
Todas as cinco principais empresas de mídia de Hollywood registraram aumento na receita de suas plataformas de streaming no segundo trimestre, segundo balanços recentes. A maioria dessas plataformas já se estabeleceu como um motor essencial de crescimento para os conglomerados, substituindo métricas trimestrais de assinantes como foco principal.
Com exceção da Peacock, todas as plataformas também alcançaram ou aumentaram seus lucros. Executivos da Comcast afirmaram ao mercado que a Peacock está “se aproximando” da lucratividade no próximo trimestre.
Netflix mantém liderança, mas Disney surge como principal rival
O Netflix continua dominando o setor em número de assinantes, receita e lucratividade. Já a Disney se consolida como a maior concorrente tradicional capaz de desafiar a gigante do streaming. No entanto, o cenário competitivo pode mudar drasticamente se a fusão entre Warner Bros. Discovery e Paramount for concluída.
Juntas, as duas empresas teriam 219,6 milhões de assinantes — apenas 200 mil a menos que os 219,8 milhões reportados pela Disney (Disney+, Hulu e ESPN+) em sua última atualização. O acordo, previsto para ser fechado no terceiro trimestre, enfrenta resistência de estúdios e procuradores-gerais estaduais, o que poderia atrasar ou até inviabilizar a operação.
Caso o fechamento não ocorra até 30 de setembro, os acionistas da Warner Bros. Discovery receberão um “ticking fee” de 25 centavos por ação a cada trimestre até a conclusão do negócio. Se a fusão não for aprovada por questões regulatórias, a Paramount pagará à Warner Bros. Discovery uma multa de US$ 7 bilhões.
Disciplina financeira impulsiona lucratividade no streaming
Os números recentes indicam que os esforços das empresas de mídia para implementar maior disciplina financeira em seus negócios de streaming estão gerando resultados positivos, garantindo sua sustentabilidade a longo prazo. Ao mesmo tempo, a redução da transparência nas divulgações de assinantes sinaliza que o setor está amadurecendo nesse aspecto, levando as empresas a focarem cada vez mais no engajamento dos usuários.
Gigantes de tecnologia também apostam no streaming
A análise não inclui Apple TV+ e Amazon Prime Video, pois essas plataformas não divulgam métricas trimestrais de assinantes, receita ou lucratividade — já que o streaming ainda representa uma parte menor de seus negócios. No entanto, durante a apresentação de resultados do primeiro trimestre, o diretor financeiro da Amazon, Brian Olsavsky, afirmou que o Prime Video se tornou um negócio “grande e lucrativo por si só”.
A gigante do varejo já havia revelado que sua camada com anúncios do Prime Video atinge mais de 315 milhões de visualizadores mensais globalmente. Segundo uma apresentação da NFL compartilhada com a FCC, o serviço teria cerca de 180 milhões de assinantes, embora a Amazon não tenha confirmado o número publicamente.
Já a Apple, por meio de seu vice-presidente de Serviços, Eddy Cue, declarou que o Apple TV+ tem “muito mais” do que os 45 milhões de assinantes estimados por analistas, mas não revelou um número específico.
Comparativo de assinantes das principais plataformas
- Netflix: 325 milhões de assinantes (última atualização em janeiro de 2025, sem divulgação trimestral desde então).
- Disney+ (incluindo Hulu e ESPN+): 219,8 milhões de assinantes.
- Warner Bros. Discovery + Paramount (em caso de fusão): 219,6 milhões de assinantes.
- Peacock: Não divulgou números recentes, mas segue em busca de lucratividade.
- HBO Max: Não divulgou dados atualizados recentemente.
“Os esforços para aumentar a disciplina financeira nas plataformas de streaming estão gerando frutos, mas o setor caminha para uma fase de maturidade, onde o foco passa a ser o engajamento dos usuários.”