O Oeste e o Sul dos Estados Unidos enfrentarão um risco elevado de incêndios florestais significativos durante o verão de 2024, segundo projeções do National Interagency Fire Center (NIFC). A previsão, divulgada em 1º de maio, indica que nenhuma região do país terá potencial de fogo abaixo da média até o final de agosto.

Jim Wallmann, meteorologista do Serviço Florestal dos EUA e um dos autores do relatório, afirmou:

"Não é uma conclusão inevitável que teremos uma temporada extremamente ativa, mas todos os indicadores apontam para essa direção."

O NIFC, composto por especialistas de oito agências federais, elabora mensalmente um boletim de quatro meses com base em dados da NOAA, condições de seca, precipitação e análise de combustíveis vegetais — como gramíneas, arbustos e madeira. Até agora, mais de 1,8 milhão de acres já foram consumidos por incêndios nos EUA, quase o dobro da média anual dos últimos dez anos.

Risco elevado no Oeste e Sudeste

O relatório destaca que o potencial de incêndios significativos será maior em grande parte do Oeste e do Sudeste americano durante o verão. A temporada de incêndios no Oeste costuma atingir o pico no final do verão, e as projeções indicam um cenário acima da média para várias regiões:

  • Maio: Risco concentrado no leste do Arizona e oeste do Novo México, com normalização prevista para agosto devido ao início da estação de monções no Sudoeste.
  • Junho: Expansão do risco para o oeste do Colorado e partes do Noroeste do Pacífico.
  • Julho e agosto: Cobertura de grande parte do Noroeste, incluindo Utah, Idaho, Oregon, Washington e o norte da Califórnia.

Impacto da seca e do derretimento precoce da neve

A combinação de temperaturas acima da média na primavera e um déficit histórico de neve está agravando o cenário. Muitos rios do Oeste registram menos de 20% do volume normal de neve, e alguns já estão completamente livres de neve devido ao derretimento precoce em março.

Segundo Craig Clements, meteorologista do Fire Weather Research Laboratory da San Jose State University, a baixa umidade do solo decorrente do derretimento antecipado da neve afeta diretamente a umidade dos combustíveis vegetais, tornando-os mais propensos a queimar.

"A redução da neve nesta época do ano e seu derretimento precoce influenciam a umidade do solo ao longo do verão, o que, por sua vez, afeta a umidade dos combustíveis."

As bacias hidrográficas do Oeste apresentam, em maio, um déficit de 50% ou mais no equivalente de água da neve (quantidade de água armazenada na cobertura de neve) em comparação com a média histórica de 1991–2020.

Especialistas reforçam que, embora as previsões indiquem um cenário preocupante, a intensidade final da temporada dependerá de fatores como ventos, umidade relativa e ações de prevenção.