A cantora Taylor Swift tomou uma medida inédita para proteger sua identidade em meio ao crescimento da inteligência artificial. Na última sexta-feira (16), ela protocolou três pedidos de registro de marcas junto ao Escritório de Patentes e Marcas dos EUA (USPTO).

Dois desses registros são de marcas sonoras: um deles corresponde ao áudio da frase “Hey, It’s Taylor Swift”, e o outro, a “Hey, It’s Taylor”.

O terceiro pedido é uma marca visual que abrange uma foto de Taylor Swift tocando uma guitarra rosa, com alça preta, vestindo um macacão iridescente multicolorido e botas prateadas. Na imagem, ela aparece em um palco rosa, diante de um microfone multicolorido, com luzes roxas ao fundo.

As solicitações, identificadas inicialmente pelo escritório Gerben IP e protocoladas pela TAS Management e pelo escritório de advocacia Venable LLP (representado pela advogada Rebecca Liebowitz), surgem em um momento em que artistas tradicionalmente dependem de leis de direitos autorais para proteger suas gravações.

No entanto, a IA permite que usuários criem novos conteúdos que imitam a voz de um artista, sem copiar diretamente uma gravação existente. Segundo o advogado especializado em propriedade intelectual Jon Gerben, os registros de marcas podem ajudar Swift a combater não apenas reproduções idênticas, mas também imitações consideradas “confundivelmente semelhantes” — um critério-chave no direito de marcas.

“Teoricamente, se um processo fosse aberto contra o uso de IA com a voz de Swift, ela poderia alegar que qualquer uso de sua voz que soe como a marca registrada viola seus direitos de marca.”

Gerben também destacou que o registro visual segue a mesma lógica. “Ao proteger uma imagem distintiva, incluindo o macacão e a pose característicos de Swift, sua equipe pode ter mais fundamentos para processar imagens manipuladas ou geradas por IA que evocam sua semelhança.”

Outros exemplos de marcas sonoras incluem o som “tudum” da Netflix e o jingle da NBC.

As ações de Swift seguem um movimento semelhante do ator Matthew McConaughey, que declarou ao The Wall Street Journal que busca “criar uma fronteira clara de propriedade, com consentimento e atribuição como norma em um mundo dominado pela IA”.

McConaughey registrou marcas como um trecho de sete segundos dele em pé em um alpendre, três segundos dele sentado em frente a uma árvore de Natal e o áudio da frase “Alright, alright, alright”, imortalizada em seu filme Dazed and Confused (1993).

“No fim das contas, os registros de Taylor Swift e Matthew McConaughey estão testando novas teorias sobre como a lei de marcas funcionará na era da IA”, afirmou Gerben.

A advogada Rebecca Liebowitz não retornou o pedido de comentário do TheWrap sobre os registros de Swift.

Fonte: The Wrap