O Festival de Cannes 2026 entrou em seu terceiro dia com intensa programação, destacando-se a estreia de um dos filmes mais aguardados da mostra: ‘Teenage Sex and Death at Camp Miasma’, novo trabalho da diretora Jane Schoenbrun, conhecida por ‘I Saw the TV Glow’. O longa, produzido pela Mubi e programado para estrear ainda este ano, foi apresentado na seção Un Certain Regard e conquistou a plateia com uma ovação de nove minutos.

Schoenbrun, que também escreveu e dirigiu o filme, descreve a obra como uma homenagem aos slasher movies dos anos 1980 e um retrato introspectivo da experiência trans. O elenco inclui Hannah Einbinder, Gillian Anderson, Eva Victor, Zach Cherry, Sarah Sherman, Jasmin Savoy Brown e Jack Haven.

O enredo acompanha uma cineasta (interpretada por Einbinder), contratada para dirigir um remake de uma série de longa data chamada ‘Camp Miasma’, na esperança de contar com uma estrela reclusa (Anderson), que interpretou a ‘final girl’ no filme original. Segundo críticos presentes, a obra é uma mistura de nostalgia, inovação e sensibilidade, com um tom que oscila entre o absurdo e o poético.

"É difícil aceitar, e muito menos digerir, um novo evangelho ao primeiro contato, mas o presente de obras como a de Schoenbrun é, acima de tudo, caracterizado por um espírito generoso de convite. Ajuste-se ao seu compasso seguro e enlouquecedor e veja as escamas caírem dos seus olhos."

O sucesso do filme não se limitou às críticas. A ovação de nove minutos, segundo relatos, foi uma das mais longas do festival, com Einbinder chegando a agradecer ao elenco e à equipe por três minutos durante os aplausos. Anderson e Schoenbrun também participaram do evento, apresentando o longa antes da exibição.

Críticas às ovações intermináveis em Cannes

Enquanto o filme de Schoenbrun arrebatava plateias, o jornalista Steve Pond aproveitou para criticar a tradição das ovações intermináveis que tomaram conta do Festival de Cannes. Em artigo publicado nesta semana, Pond argumenta que o costume de se levantar e aplaudir por minutos a fio distorce a dinâmica do evento.

"Antigamente, as ferramentas essenciais para um repórter ou crítico cobrindo uma estreia em Cannes eram um caderno e uma caneta. Hoje, infelizmente, há um acréscimo inevitável: o cronômetro do celular", escreveu Pond, destacando que o que antes era um gesto genuíno tornou-se uma competição de quem aplaude por mais tempo. Segundo ele, uma ovação de quatro minutos já é considerada "fraca" em um festival onde a pressão por demonstrações de entusiasmo é cada vez maior.

Fonte: The Wrap