O tiroteio ocorrido durante o jantar de correspondentes da Casa Branca, no sábado (27), não foi suficiente para reduzir as divergências entre democratas e republicanos no Congresso sobre a reabertura do Departamento de Segurança Interna (DHS).
A discussão gira em torno da recusa republicana em aprovar um projeto de lei aprovado pelo Senado que libera verbas para o DHS, exceto para a Imigração e Alfândega (ICE) e a Patrulha de Fronteiras (CBP). Em resposta, a Câmara dos Deputados, controlada pelos republicanos, aprovou um projeto para financiar integralmente o departamento.
Posições em confronto
O líder da minoria na Câmara, Hakeem Jeffries (D-NY), criticou duramente a postura republicana, acusando-os de manter o fechamento do DHS por mais de 70 dias para impor sua agenda de imigração. Em coletiva de imprensa na segunda-feira (29), Jeffries afirmou que o projeto bipartidário do Senado, já aprovado, está "parado na Câmara" e pediu sua votação imediata.
Por outro lado, o presidente da Câmara, Mike Johnson (R-LA), descartou a possibilidade de aceitar o texto do Senado. Segundo ele, o projeto contém "linguagem problemática" por ter sido elaborado de forma apressada e prometeu apresentar uma versão modificada, que, segundo ele, não altera substancialmente o conteúdo.
Democratas mantêm linha dura
Líderes democratas, como a deputada Alexandria Ocasio-Cortez (D-NY), rejeitaram a ideia de usar o incidente para pressionar mudanças políticas. "Acredito que usar qualquer ato de violência para fins políticos é triste e lamentável", declarou à Axios.
Outros parlamentares democratas também reforçaram a posição. O deputado Greg Casar (D-TX), presidente da bancada progressista, afirmou que as declarações republicanas "não fazem sentido". Já a deputada Susie Lee (D-NV), líder dos democratas em distritos disputados, destacou que o Senado já aprovou um projeto que os republicanos se recusam a votar na Câmara.
O deputado Don Davis (D-NC), um dos mais vulneráveis nas eleições de novembro, defendeu a segurança de todos os cidadãos, não apenas do ex-presidente Donald Trump e sua equipe. "Acredito que o mesmo se aplica ao povo americano", declarou.
Voos de centro pedem acordo
Apesar da polarização, alguns democratas de centro, como o deputado Jared Moskowitz (D-FL), ex-diretor da Defesa Civil da Flórida, sugeriram flexibilidade. "Acho que ambos os lados podem ceder um pouco", afirmou à Axios. "Precisamos reabrir o DHS, não há dúvida. Vamos ver a proposta."
Moskowitz também propôs um projeto bipartidário para transferir agências como o Serviço Secreto e a TSA para fora do DHS, facilitando a aprovação de verbas.