O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a atacar os juízes da Suprema Corte que ele próprio nomeou, exigindo lealdade incondicional a seus interesses políticos.

Em uma publicação extensa no Truth Social, Trump criticou duramente os magistrados Neil Gorsuch e Amy Coney Barrett, acusando-os de trair os interesses do país ao rejeitar suas propostas tarifárias. Segundo ele, os juízes, "nomeados por mim, causaram um grande prejuízo ao nosso país".

A Suprema Corte dos EUA declarou ilegal, em fevereiro, as tarifas impostas por Trump, consideradas a principal base da política externa de seu governo. O ex-presidente alegou que a decisão judicial custou ao país US$ 159 bilhões, responsabilizando os magistrados pelo "pagamento a inimigos" dos EUA.

Trump também sugeriu que, devido à atuação de juízes conservadores nomeados por republicanos, não seria necessário "empacotar a Corte" (aumentar o número de juízes para favorecer um partido). Em tom irônico, afirmou que, na verdade, deveria ser ele a promover essa mudança.

"Eles precisam fazer a coisa certa, mas é realmente aceitável que sejam leais à pessoa que os nomeou para quase o cargo mais alto do país?", questionou o ex-presidente, defendendo que os magistrados devem retribuir o apoio recebido.

Ele ainda afirmou, sem provas, que juízes nomeados por presidentes democratas sempre "permanecem fiéis" àqueles que os honraram — uma alegação desmentida por diversos casos recentes.

Pressão sobre a Suprema Corte antes de decisão histórica

A crítica de Trump surge em meio à expectativa pela decisão da Suprema Corte sobre a cidadania por nascimento, um direito constitucional que o ex-presidente tenta revogar desde o início de seu segundo mandato. A decisão deve ser anunciada em junho.

O ex-presidente revelou que, pela primeira vez na história dos EUA, um presidente em exercício assistiu pessoalmente às audiências sobre o tema. Segundo Trump, com base no que viu, acredita que a Corte "irá decidir contra nós", tornando os EUA o único país do mundo a manter essa prática.

"Não quero lealdade, mas exijo e espero que haja lealdade ao nosso país", escreveu Trump.

Apesar das críticas, o ex-presidente admitiu que ainda tem "outras formas" de implementar sua agenda tarifária, embora reconheça que serão "muito mais lentas" do que o plano original.