A UL Solutions, conhecida pela sigla UL (Underwriters Laboratories), é uma das empresas mais influentes — e menos visíveis — do mundo da tecnologia. Seu símbolo, presente em milhões de aparelhos eletrônicos, garante que produtos passaram por testes rigorosos de segurança. Fundada há um século, a empresa começou como uma iniciativa de seguradoras para avaliar riscos de incêndio em produtos elétricos recém-chegados às residências.

De testes de segurança a padrões para IA

A trajetória da UL reflete a evolução da indústria. O que começou como um serviço de certificação para fios e interruptores hoje abrange desde brinquedos até sistemas de inteligência artificial. Recentemente, a empresa lançou o UL 3115, um novo padrão para avaliar a segurança de produtos baseados em IA antes e durante sua implementação. Esse framework exige colaboração entre empresas e reguladores, além de métodos confiáveis para testar sistemas complexos como algoritmos de machine learning.

Desafios globais e geopolítica

O crescimento da UL também expôs a empresa a desafios inesperados. Em 2021, o governo Biden a selecionou para liderar um programa de segurança cibernética para dispositivos conectados (IoT). No entanto, a mudança de administração nos EUA e a postura mais restritiva em relação à China — onde a UL mantém laboratórios essenciais — inviabilizaram a parceria. A empresa, que emprega milhares em instalações chinesas, foi excluída do projeto sob alegações não esclarecidas de riscos de segurança nacional.

"A segurança não tem fronteiras, mas a política, sim. Nossa missão é clara: garantir que produtos sejam seguros, independentemente de onde são fabricados." — Jennifer Scanlon, CEO da UL Solutions

A estrutura por trás do selo

A UL opera como uma organização independente, mas sua governança é mais intrincada do que parece. Com laboratórios em mais de 40 países e uma rede de parceiros globais, a empresa precisa equilibrar inovação com conformidade. Em entrevista exclusiva ao Decoder, Jennifer Scanlon, CEO desde 2021, revelou detalhes sobre os bastidores da UL — incluindo explosões nos laboratórios de testes, que, segundo ela, "fazem parte do processo".

O futuro da segurança em um mundo conectado

A UL enfrenta um paradoxo: quanto mais a tecnologia avança, maior a demanda por padrões de segurança, mas também mais difícil se torna regulamentá-la. Sistemas de IA, dispositivos IoT e até mesmo veículos autônomos exigem certificações que ainda estão em desenvolvimento. A empresa, agora com foco em sustentabilidade e segurança digital, busca se adaptar a um cenário onde a inovação supera a capacidade de fiscalização tradicional.

Para Scanlon, a solução está em colaboração internacional e transparência. "Não podemos mais pensar em segurança de forma isolada. Precisamos de padrões globais que acompanhem a velocidade da tecnologia", afirmou. Enquanto isso, o selo UL continua a ser um dos símbolos mais confiáveis do mercado — mesmo que poucos saibam a complexidade por trás dele.